A inclusão da economia azul na educação tem se tornado um tema cada vez mais urgente quando se pensa no futuro das próximas gerações. Na Zona Sul do Estado, a convivência das cidades com a Lagoa dos Patos, arroios, lagos e demais corpos d’água, tornam urgente que o tema seja levado para a sala de aula. Entender a relação da água com a economia e a cultura, e como a preservação é importante para a convivência entre homens e animais, além de beneficiar o planeta, é de extrema importância.
E por que o mar não poderia virar a sala de aula? Temos alguns exemplos na região de iniciativas que voltam o seu olhar para as águas, com o objetivo de descentralizar o ensino clássico, e ampliar o engajamento dos alunos com as atividades propostas.
O Centro de Convívio dos Meninos do Mar (CCMar/Furg) é um destes exemplos, quando disponibiliza um barco, chamado “Cruzeiro do Saber”, em parceria com o Otroporto, para atividades de reconhecimento da fauna, flora e dos ecossistemas marinhos da nossa costa. Como já defendido diversas vezes pelo seu diretor e idealizador, Prof. Lauro Barcellos, é dar protagonismo aos estudantes e eles terem a oportunidade de sentirem-se pertencentes ao território.
Especialistas defendem que levar esse tema para as salas de aula ajuda a formar cidadãos mais conscientes sobre o uso da água e dos recursos naturais. Desde cedo, estudantes podem aprender como atividades como pesca, turismo e transporte dependem diretamente de ambientes aquáticos saudáveis. Esse conhecimento contribui para decisões mais responsáveis no dia a dia.
Ao unir conhecimento, consciência ambiental e desenvolvimento econômico, a escola se torna uma aliada na construção de uma sociedade mais preparada para cuidar dos seus recursos naturais.
Afinal, o que é Economia Azul?
É o uso sustentável, conservação e gestão dos recursos oceânicos e costeiros para o crescimento econômico, melhoria dos meios de subsistência e empregos, garantindo a saúde do ecossistema marinho. Ela foca no equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente, seguindo princípios de economia circular e inovação tecnológica para minimizar impactos negativos.
A partir desse tema, podem surgir discussões sobre energias renováveis oceânicas (eólica offshore, energia das marés), biotecnologia marinha e extração de recursos minerais com tecnologia de menor impacto.
A economia azul prioriza a saúde dos oceanos, a biodiversidade e a inclusão social, buscando garantir que os benefícios dessa relação harmoniosa com o meio ambiente sejam compartilhados entre todos os seres vivos.
Sustentabilidade
É o principal desafio desse setor. A exploração excessiva de peixes, a poluição das águas e as mudanças climáticas colocam em risco, não apenas o meio ambiente, mas também as comunidades que dependem desses recursos para sobreviver. Em regiões costeiras, por exemplo, a pesca artesanal já sente os impactos da diminuição de espécies e da degradação dos ecossistemas.
Por outro lado, iniciativas sustentáveis têm mostrado que é possível equilibrar economia e preservação. Projetos de turismo responsável e proteção de áreas marinhas ajudam a manter a biodiversidade e garantem renda a longo prazo. Além disso, investimentos em tecnologia têm permitido o monitoramento mais eficiente da qualidade da água e da vida marinha.
Sem água limpa e ecossistemas saudáveis, não há atividade econômica que se sustente. O desafio está em encontrar caminhos que aliem crescimento e responsabilidade ambiental, garantindo que as futuras gerações também possam usufruir das riquezas naturais.
Minha Cidade tem um Porto
Outro exemplo de iniciativa que conecta a comunidade com as águas é o projeto “Minha Cidade tem um Porto”, da autoridade portuária responsável pelos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. A Portos RS lançou a iniciativa em 2024, com o objetivo de reafirmar que os portos públicos do Estado são mais do que estruturas logísticas: são parte do cotidiano, da identidade e do futuro das cidades em que estão inseridos.
A campanha fortalece os laços entre Porto e comunidade, promovendo orgulho, pertencimento e participação ativa na construção de um futuro coletivo.
Entre as ações desempenhadas estão a realização de eventos, concursos de redação e aproximação com escolas para mostrar o impacto do porto na geração de empregos e desenvolvimento.
O projeto nasce com o propósito de reacender o orgulho e a conexão da comunidade com um de seus maiores patrimônios: as águas. Mais do que uma estrutura física, o Porto é símbolo de história, identidade e desenvolvimento. Ao relembrar sua importância, o projeto busca resgatar a autoestima coletiva e fortalecer o sentimento de pertencimento.
