Técnicos-administrativos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) realizaram um protesto nesta quarta-feira (25), no Mercado Público, em meio à greve nacional da categoria. Organizado pela Asufpel (Associação dos Servidores da UFPel), o ato reuniu trabalhadores e levou à população serviços e orientações na área da saúde, buscando dar visibilidade ao trabalho desempenhado pelos servidores dentro da universidade.
A mobilização ocorre em um cenário de paralisação nacional que, segundo a coordenação do movimento, conta com a adesão de 34 sindicatos ligados à Fasubra e abrange cerca de 50 instituições federais de ensino. A principal reivindicação é o cumprimento integral de pautas acordadas em negociações anteriores com o governo federal, especialmente demandas não salariais que seguem pendentes.
De acordo com a coordenadora-geral da Asufpel, Maria Tereza Tavares, a greve atual é motivada justamente pelo descumprimento desses pontos. “O governo cumpriu a parte salarial, mas outras pautas ficaram para trás, e não conseguimos avançar nas negociações antes da tramitação do projeto no Congresso”, afirmou.
Sem avanço nas tratativas, o movimento pressiona pela reabertura da mesa de negociação com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), responsável por intermediar o diálogo com a categoria. Representantes do sindicato estão em Brasília em busca de apoio parlamentar para retomar as discussões.
População próxima do cotidiano dos servidores
Durante o ato no Mercado, os servidores também buscaram aproximar a população do cotidiano da universidade. Profissionais da área da saúde participaram da ação, realizando aferição de pressão arterial e outras orientações básicas.
Segundo Maria Tereza, a iniciativa faz parte de uma estratégia recorrente da categoria durante greves. Ela explicou que a população muitas vezes não se dá conta de que, ao procurar serviços como hospital escola, clínica odontológica ou assistência jurídica, está sendo atendida por técnicos-administrativos, e ressaltou que o objetivo é mostrar que a universidade é pública e pertence à população.
Ela também ressaltou que os servidores se sentem frequentemente invisibilizados. “Quando se pensa em universidade, se pensa em professores e alunos. Mas toda a estrutura depende dos técnicos, que são fundamentais para o funcionamento das atividades práticas e administrativas”, disse.
Serviços essenciais continuam funcionando
Sobre os impactos da greve, o movimento afirma manter serviços essenciais em funcionamento por meio de um comitê de ética, que avalia semanalmente as demandas consideradas prioritárias. Ainda assim, reconhece que a paralisação precisa gerar efeitos para pressionar negociações.
Não há previsão para o fim da greve. Conforme a coordenação nacional, a paralisação depende diretamente da retomada do diálogo com o governo federal. Caso não haja avanços, a categoria aposta na ampliação da mobilização como estratégia para fortalecer a pressão.
A reitoria da UFPel estima que cerca de 30% dos técnicos-administrativos tenham aderido à paralisação. Já o sindicato afirma que a mobilização é significativa, destacando a participação expressiva nas assembleias de greve, embora não divulgue números por receio de perseguições.
