O fechamento do quartel do Corpo de Bombeiros no bairro Fragata voltou ao centro do debate após um incêndio de grandes proporções registrado na noite de segunda-feira (23), a cerca de 200 metros da unidade desativada. A ocorrência expôs fragilidades na estrutura de atendimento do município, que, segundo apurou a reportagem, atualmente conta com apenas uma guarnição em operação, das três disponíveis na cidade.
O fogo começou por volta das 19h em um estabelecimento comercial localizado na Avenida Theodoro Müller, utilizado para serviços automotivos. As chamas se alastraram rapidamente e causaram a destruição total do prédio. Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Civil, nove veículos e três motocicletas foram consumidos pelo incêndio, além de peças e equipamentos avaliados em cerca de R$ 500 mil que estavam no interior do imóvel.
De acordo com as informações registradas, quando as equipes chegaram ao local, o combate ao incêndio já estava em andamento, mas a dimensão das chamas exigiu reforço. Foi necessário acionar o Corpo de Bombeiros de Rio Grande e Canguçu, que auxiliaram no controle do fogo e no trabalho de rescaldo.
No momento da ocorrência, apenas três militares estavam em serviço na cidade, o que teria dificultado a resposta imediata. A situação se agrava pelo fato de que o incêndio ocorreu a poucos metros de um quartel fechado, localizado na Avenida Pinheiro Machado, que poderia ter reduzido o tempo de deslocamento e, consequentemente, a extensão dos danos.
A causa do fogo
A suspeita inicial é de que o incêndio tenha começado em um dos veículos que passava por manutenção no local, mas a causa exata ainda será determinada por perícia técnica. O caso foi registrado como incêndio culposo, quando não há intenção, e será investigado pela Polícia Civil.
Caso chega à Câmara
A repercussão do caso chegou à Câmara de Vereadores. Durante a sessão ordinária desta terça-feira, o vereador Daniel Fonseca (PSD) criticou o fechamento do quartel do Fragata e a atual estrutura de atendimento. “Uma cidade com quase 400 mil habitantes, que atende cidades vizinhas, ter apenas uma guarnição de bombeiros com três militares”, afirmou. O parlamentar também relacionou a situação ao impacto do incêndio. “Se o quartel de bombeiros do Fragata estivesse aberto ontem, o estrago não teria sido tão grande”, completou.
O episódio levanta questionamentos sobre a capacidade operacional do município em situações de emergência e reforça o debate sobre a distribuição e manutenção das unidades do Corpo de Bombeiros em áreas estratégicas da cidade.
Sem respostas
Questionado sobre a falta de efetivo e previsão de reforço, o comando dos Bombeiros de Pelotas não se manifestou até o fechamento desta edição.
