Enquanto a Agência Nacional de Petróleo (ANP) garante que o sistema de distribuição de óleo diesel está normal, empresas cadastradas como transportadores revendedores retalhistas (TRRs) precisam provar que tiveram pedidos negados juntos às principais distribuidoras, prejudicando os produtores rurais que estão ficando sem combustível para o período de colheita. Entidades como Farsul e Federarroz, além do governo, já se manifestaram sobre o cenário de crise, que pode impactar também a indústria gaúcha. Aos empresários, a ANP pediu 24 hora para investigar a questão, tempo que pode representar perdas nas lavouras de soja e arroz do Rio Grande do Sul.
Quem participou da reunião online com a ANP foi o gerente comercial da Sul Diesel Fitazul, Márcio Vinícius Zarnotti. “Foi demonstrado que qualquer empresa que tente fazer pedido, colocar na tela através do site ou do aplicativo, é negado por falta de estoque”, comenta. Para ele são informações desencontradas, sendo que a Petrobras alega que tem produto, porém 100% mais caro em relação ao preço praticado no final de fevereiro. “A ANP ainda tenta identificar para onde está indo o produto e se estão destinando somente uma parte. É um momento bem preocupante”.
Para o gerente, as duas próximas semanas serão decisivas, e se não houver mudança o mês de abril será bem comprometedor, com aumento inclusive da gasolina. Em nota ao clientes, a revendedora informa que o mercado global de combustíveis vive um
momento de instabilidade, que por isso estão adotando medidas estratégicas para manter a regularidade e a segurança no abastecimento, na busca de minimizar os impactos.
Fiergs também se manifesta
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) se diz preocupada com as dificuldades na distribuição de combustíveis no Estado. O abastecimento regular de diesel e de outros combustíveis é essencial para o funcionamento da indústria, da logística e das cadeias produtivas. Em nota, a federação diz que a preocupação se intensifica a partir da restrição de combustível para TRRs em plena colheita da safra de verão. “O desabastecimento já começa a afetar as operações no campo, além de elevar os custos de produção”, diz a nota.
O agronegócio, considerando suas diversas etapas, representa cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, o que faz com que dificuldades no campo tenham reflexos diretos sobre a atividade industrial, a logística e o abastecimento de insumos. Segundo o presidente da Fiergs, Claudio Bier, a situação exige atenção e monitoramento para evitar impactos mais amplos sobre a economia gaúcha. “A indústria depende de energia e logística para operar. Problemas no abastecimento de combustíveis afetam o transporte de insumos, a distribuição de produtos e o funcionamento das cadeias produtivas”, afirma.
Nota da ANP
Após receber as denúncias, a Agência Nacional de Petróleo entrou em contato com os principais fornecedores da região e apurou que o RS tem estoque suficiente para assegurar o abastecimento regular de diesel. A produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap).
Consta na nota ainda que equipes técnicas da ANP estão realizando verificação das instalações e operações relevantes. As distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos sobre volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos. Caso seja necessário, a Agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país. Já aumentos de preços injustificados no Estado também serão objeto de investigação pelo órgão em conjunto com a defesa do consumidor.
