Inquérito sobre morte de produtor rural sem data definida

Caso Marcos Nörnberg

Inquérito sobre morte de produtor rural sem data definida

Polícia Civil promete concluir as investigações ainda no início deste mês; Brigada Militar ainda não tem previsão

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Inquérito sobre morte de produtor rural sem data definida
(Foto: Jô Folha)

“A espera é uma tortura”, define Raquel Nörnberg, viúva do produtor rural Marcos Daniel Nörnberg, morto no dia 15 de janeiro deste ano em uma ação da Brigada Militar, durante a madrugada, que para a família foi uma invasão à propriedade rural. “Eu temo que seja alegada legítima defesa. Mas eu estava ao lado do meu marido e sei que ele não atirou antes da polícia entrar”, defende. Enquanto esperam pela audiência e pela reconstituição do crime, os familiares seguem em busca de assinaturas no abaixo-assinado para a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais.

Raquel explicou que o abaixo-assinado já alcançou 25 mil assinaturas, número que considera bastante relevante, embora esperasse um total ainda maior devido à complexidade do caso. A mobilização segue aberta até o dia da audiência pública, quando o documento será entregue e a meta é alcançar mais 58 mil assinaturas. O processo é digital, neste link, onde a pessoa informa nome, e-mail e cidade para registrar apoio.

Perícias

Sobre o andamento das investigações, Raquel relatou a angústia da família diante da falta de informações oficiais e da ausência de uma data marcada para a audiência ou para a reconstituição anunciada anteriormente. Disse que, após os 40 dias iniciais, houve pedido de prorrogação por mais 20 dias, mas nenhum contato foi feito com a família para refazer os passos da madrugada do dia 15 de janeiro. “As atualizações chegam apenas pela imprensa e redes sociais”, comenta. A Polícia Civil informou que o inquérito deve ser concluído em março, sem data definida.

A viúva manifestou receio de que as sucessivas prorrogações sirvam para “esfriar” o caso e segue convicta de que não houve legítima defesa, destacando que a casa foi invadida. “Imaginamos que o resultado da investigação pode estar sendo aguardado para divulgação conjunta entre órgãos, o que aumenta a nossa apreensão.” Ela garante que seguirá pressionando pela realização da audiência pública e que, dependendo do desfecho, poderá buscar a federalização do caso, entendendo que não houve condução justa das apurações.

Para não esquecer

Na madrugada do dia 15 de janeiro, o produtor de morangos estava com sua esposa na propriedade da família quando os cães começaram a latir e ele viu lanternas pela janela, mas como não tinha sirenes e era noite ainda, pensaram ser bandidos se passando por policiais. Os policiais militares (PMs) invadiram a propriedade que fica às margens da BR-392, em busca de um bando de criminosos que estariam com carros roubados dois dias antes, também em Pelotas. Foram muitos tiros e Nönrberg foi atingido no rosto e nos ombros. Ele ainda teve tempo de pedir para a mulher se proteger.

Raquel ainda permaneceu por duas horas sem acreditar que estava lidando com policiais e não bandidos e pede, além do crime de homicídios, que eles sejam indiciados pelo crime de tortura. Os 18 militares do 4º BPM e do 5º Batalhão de Polícia de Choque que participaram da ação estão afastados de suas funções.

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