Os gaúchos passaram a acompanhar no mês de fevereiro o início de uma ampla campanha de conscientização, prevenção e repressão ao uso e à comercialização dos vapes – como são conhecidos os cigarros eletrônicos. Pesquisa do Ministério da Saúde apontou que mais de duas milhões de pessoas já usaram os dispositivos, com a maior prevalência entre jovens entre 18 e 24 anos. Os números da pesquisa Covitel são alarmantes: um em cada cinco jovens, nessa faixa etária, usa o produto no Brasil.
A campanha no Estado tem como protagonista o Ministério Público e a participação de órgãos das áreas da saúde, educação, fiscalização e segurança pública. A venda de vapes no Brasil passou a ser proibida por norma da Anvisa.
A ideia é formatar uma atuação conjunta e constante, com capacidade de atingir toda a sociedade gaúcha, e não apenas o público jovem, frente à ampla disseminação do uso dos cigarros eletrônicos. Por isso, faz-se necessário também a adoção de medidas mais firmes, como o fortalecimento da fiscalização e da responsabilização criminal, em paralelo a ações educativas.
No encontro de lançamento da campanha, especialistas alertaram para a alta concentração de nicotina nos vapes, o que causa uma dependência rápida, associada a problemas pulmonares e cardiovasculares. Como o público jovem se destaca entre os maiores consumidores, é ele a principal vítima dos efeitos. Na parte de saúde mental de adolescentes, o consumo leva a distúrbios do sono, alterações de humor, dificuldades de aprendizado e risco de psicose.
O fácil acesso, mesmo com a proibição em território nacional, assim como o apelo mercadológico das peças – com formatos discretos, luzes e sabores atrativos – potencializam a falsa percepção de baixo risco e aumentam a chance de tornar menores de idade mais vulneráveis ao consumo.
A campanha do MP precisa ser levada a sério. Ao mesmo tempo em que o Brasil se tornou referência no combate ao consumo de cigarro, com ações fortes, impedir que os dispositivos eletrônicos se massifiquem é questão de saúde pública. Tema, aliás, para ser debatido também dentro dos lares, onde as famílias podem contribuir. É urgente.