Inspirados por uma viagem ao exterior e pela paixão pelo café especial, o programador Victor Antoniazzi e a arquiteta Ana Ritha Machado Geraldo transformaram um hobby em um projeto que vem movimentando a cultura do café em Pelotas. Criadores da marca Differ Coffee e idealizadores do Passaporte do Café, os empreendedores uniram arte, arquitetura e gastronomia para conectar cafeterias da cidade e incentivar o público a explorar diferentes estabelecimentos por meio de uma experiência interativa – que rapidamente conquistou os amantes da bebida.
Como surgiu a ideia do Passaporte do Café?
Victor: Surgiu em uma viagem que fiz à Cidade do México, em 2024. Eles tinham uma ideia um pouco similar: a pessoa recebia um mapa e, ao passar por alguns lugares, conseguia ganhar um desconto. A partir disso veio a iniciativa de criar um passaporte, para que a pessoa chegasse ao local, recebesse um carimbo e levasse aquilo como um souvenir da cidade de Pelotas. Na Cidade do México, essa iniciativa era de uma única empresa, que permitia visitar todos os lugares que vendiam o café daquela marca. Quando trouxemos para Pelotas, ampliamos o conceito, incluindo todos os estabelecimentos dentro da proposta do café especial.
Ana Ritha: Ele me mandou a foto e, na mesma hora, pensamos: precisamos fazer isso em Pelotas. A cidade tem muitas empresas que trabalham com café especial. Então pensamos em um formato que pudesse divulgar esses estabelecimentos e movimentar esse comércio, fortalecendo a cultura do café especial e os negócios locais de forma geral.
Quantas pessoas embarcaram nessa ideia? O pessoal gostou da proposta logo de início?
Ana Ritha: Muita gente adorou a ideia. Hoje o passaporte reúne 35 empresas, contando com a Differ. Ao todo, visitamos 49 estabelecimentos para apresentar o projeto. Criamos a ideia com um designer e não queríamos ir até as empresas apenas com um PDF. Então produzimos o passaporte primeiro e fomos até os estabelecimentos com ele em mãos.
Victor: Cada empresa recebeu dez unidades. Fizemos a entrega em uma quinta ou sexta-feira. Quando as vendas começaram praticamente todos os estabelecimentos venderam em menos de uma hora. A primeira edição esgotou muito rápido e, por isso, lançamos uma segunda, que também vendeu rapidamente. Hoje são cerca de 800 passaportes circulando pela cidade. Todos os dias recebemos até cinco menções no Instagram de pessoas usando.
É sempre um café por local? Como funciona, na prática?
Ana Ritha: Cada empresa escolhe o café com o qual quer trabalhar. Nós indicamos alguns perfis, porque cada cafeteria tem suas características. Então buscamos um café que faça “match” com o perfil de cada estabelecimento. No passaporte, cada empresa também escolheu qual brinde gostaria de oferecer. Alguns optaram por apresentar produtos novos que não eram tão conhecidos pelo público. Outros preferiram oferecer descontos. A gente lançou a ideia e deixou bem aberto para que cada um desenvolvesse da sua forma.
Para quem não conseguiu garantir o seu, existe alguma perspectiva para 2026?
Victor: Com base no que realmente aconteceu, pensamos em um formato um pouco diferente para a próxima edição. No primeiro momento, os passaportes foram vendidos por cerca de 60 reais. Apesar de muita gente querer comprar, entendemos que o preço pode ter sido um pouco alto. Por isso, na próxima edição – que provavelmente deve sair no meio deste ano — a ideia é que o passaporte seja bonificado pela Differ. Vamos entregar os passaportes para as empresas e cada uma decide como utilizá-los: se vai dar de presente para clientes, vincular a uma compra ou a um número de visitas, por exemplo. A decisão veio porque queremos ampliar o acesso e usar o projeto como uma ação de marketing para fortalecer a cultura do café especial na cidade.
Vocês também são responsáveis pela marca de cafés especiais Differ. Como surgiu o projeto e como ele se conecta com iniciativas como o Passaporte do Café?
Victor: A Differ começou como um hobby. Não é a nossa atividade principal. Hoje já temos uma presença grande na cidade, com mais de 30 cafeterias parceiras que trabalham com o nosso café. Também temos outras iniciativas em desenvolvimento. E é um processo longo: desde a ideia até o produto final costuma levar quase um ano. O próprio Passaporte do Café levou cerca de um ano e dois meses para sair do papel. Gostamos de desenvolver esses projetos com muito cuidado. Quem pega o passaporte em mãos percebe a qualidade do material – do papel, da capa e da impressão. A ideia é oferecer realmente uma experiência diferenciada, quase como um produto premium.