A Associação dos Servidores da Universidade Federal de Pelotas (Asufpel) aprovou com ampla maioria o indicativo de greve a partir do dia 2 de fevereiro. Já o IFSul, está com indicativo de greve para o final de fevereiro ou início de março. As decisões ocorrem diante do descumprimento dos acordos de greve firmados com os servidores técnicos-administrativos em educação (TAEs) em 2024.
De acordo com Felipe Couto, diretor da Associação dos Servidores da Universidade Federal de Pelotas (Asufpel), o governo cumpriu apenas a parte salarial. Houve a recomposição de 9% da inflação acumulada entre 2016 e 2022 e está garantido no acordo mais 5% de reajuste previsto para abril. No entanto, permanecem pendentes questões como a racionalização das carreiras, o reconhecimento de saberes e competências para os técnicos-administrativos, a regulamentação da jornada de trabalho e as demandas dos aposentados.
“Não queremos mais nada, é simplesmente isso que eu insisto que é básico no mundo civilizado: se tu combina, tu cumpre”, afirma Couto.
Na segunda e terça-feira a Asufpel e o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica (Sinasefe) devem participar de novas reuniões com o governo federal acerca do assunto.
Greve na UFPel
De acordo com Couto, com o calendário acadêmico ainda impactado pelos atrasos causados pelas enchentes de 2024, uma eventual greve dos TAEs deve gerar prejuízos significativos na UFPel. A paralisação ocorreria justamente no momento de retomada das aulas, previstas para o dia 3 de fevereiro, concentrando grande parte das atividades acadêmicas em um curto intervalo, antes do início do período de férias em março.
Com a paralisação, setores como bibliotecas, laboratórios e atendimentos administrativos tendem a funcionar de forma mais lenta ou até com portas fechadas. Na área da saúde, embora o atendimento essencial não deva ser interrompido, podem ocorrer restrições de horário e ações de mobilização.
Apesar do diálogo com docentes, não há expectativa de paralisação dos professores neste momento. Segundo Couto, o movimento é específico dos TAEs.
O vice-reitor da UFPel, Eraldo Pinheiro, afirma que a instituição acompanha com respeito a possibilidade de greve e reconhece a legitimidade da mobilização. “A gestão atuará para manter serviços essenciais e reduzir prejuízos à comunidade acadêmica e à sociedade, mantendo o diálogo e comunicando orientações oficiais com transparência”, declara.
Greve no IFSul
Nos institutos federais as paralisações envolvem tanto os técnicos quanto os docentes, uma vez que o Sinasefe representa ambas as classes. De acordo com o coordenador da seção sindical do IFSul pelo Sinasefe, Manoel Porto, a deliberação de greve na instituição está prevista para o final de fevereiro ou início de março, após a Plenária Nacional.
Porto destaca que a decisão sobre a greve depende do governo. “Esperamos que o governo cumpra a sua parte. Alguns avanços já aconteceram, com ênfase na recomposição orçamentária das instituições federais, mas ainda temos vários pontos da pauta de docentes e TAEs para serem cumpridos”, conclui.
