Novo vereador assume por 60 dias com foco na saúde

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Novo vereador assume por 60 dias com foco na saúde

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Desde terça-feira, Pelotas tem um novo vereador em exercício. Julio Moura, do Rede Sustentabilidade, assumiu uma cadeira na Câmara Municipal como suplente e permanecerá no cargo por 60 dias. Ele ocupa a vaga de Fernanda Miranda, do PSOL, afastada temporariamente após decisão da Comissão de Ética do Legislativo. Rede e PSOL integram a mesma federação partidária, o que permite a sucessão sem alteração formal na composição política da Casa.

O tempo curto de mandato impõe limites objetivos à atuação legislativa, mas não elimina a tentativa de produzir efeitos práticos. Moura afirmou em entrevista à Rádio Pelotense que pretende concentrar sua atuação na área da saúde, tema que acompanha sua trajetória pessoal e pública há décadas. “Vou tentar fazer a minha parte como cidadão e como político nessa nova jornada da minha vida”, disse, ao explicar que vê o período como uma oportunidade de articulação mais do que de construção legislativa de longo prazo.

A principal frente apontada por Moura envolve a situação do pronto-socorro e a falta de leitos disponíveis na rede hospitalar. Ele relata que há espaços em entidades filantrópicas que poderiam funcionar como retaguarda, reduzindo a permanência de pacientes em macas. “Nenhum ser humano merece estar internado em cima de uma maca. Macas são para transportar pessoas, não para internar”, disse. Para ele, a permanência prolongada nessas condições compromete a dignidade do atendimento e evidencia um problema estrutural que se arrasta há anos.

Nesse contexto, Moura afirma que sua estratégia passa pela construção de diálogo com a administração municipal e com a Secretaria de Saúde. “Eu estou dialogando com o governo, com a secretária Angela [Vitória, de saúde]. A gente pode arrumar isso com conversa e levar esse benefício para a nossa comunidade”, afirmou. A ideia, segundo ele, é usar espaços já existentes, em especial em hospitais filantrópicos, como alternativa temporária enquanto os pacientes aguardam regulação para internação definitiva.

Ao mesmo tempo, o vereador buscou delimitar o alcance político de sua atuação durante o afastamento de Fernanda Miranda. Segundo Moura, ainda não houve conversas entre os dois sobre a condução do mandato ou sobre prioridades específicas. O diálogo inicial, segundo ele, ocorreu apenas com a direção da federação partidária, representada por seu presidente Helder Oliveira.

Essa definição também ajuda a compreender o tom adotado por Moura ao chegar à Câmara. Ele afirma ter sido bem recebido pelos demais vereadores e diz que pretende manter relação de diálogo com todas as bancadas, independentemente de alinhamento partidário. “Todos nós estamos ali para resolver os problemas da nossa população”, afirmou. Na avaliação do vereador, o cenário fiscal e administrativo do município exige cooperação institucional, especialmente em áreas sensíveis como a saúde.

Manifestação cautelosa

O vereador Paulo Coitinho (Cidadania) usou o plenário da Câmara para se manifestar sobre o convite feito pelo prefeito Fernando Marroni (PT) para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Rural. Em tom cauteloso, Coitinho confirmou a existência do convite e deixou claro que ainda não tomou uma decisão. “Não posso negar que houve o convite. Conversei com o Marroni e com o secretário Salvador Martins, meus queridos amigos. Nunca disse em público que aceitaria o convite, e é uma decisão que ainda não está formada”, afirmou.

Na fala, o vereador destacou que a avaliação envolve diálogo político e responsabilidade com sua trajetória eleitoral. “É uma decisão difícil, é algo que precisa ser construído com aqueles que me trouxeram até aqui”, disse, ao relatar que também ouviu opiniões de colegas do Legislativo. Coitinho afirmou que recebeu o convite como reconhecimento ao trabalho que vem desenvolvendo e reforçou o caráter institucional do movimento. “Esse convite é para auxiliar a cidade, independente das questões ideológicas”, acrescentou, ao se definir como alguém que busca fazer a ponte entre diferentes campos políticos dentro da Casa.

Ao final, Coitinho indicou que o convite está inserido em um contexto mais amplo de reorganização do governo. “Eu entendo que o governo, logo ali na frente, possa ter uma reforma administrativa. Faz parte do processo que algumas substituições sejam feitas”, afirmou. A leitura da coluna é que essa possível reforma se conecta ao calendário eleitoral de 2026, quando secretários tendem a deixar seus cargos para disputar vagas como deputado estadual ou federal, abrindo espaço para rearranjos políticos no Executivo e novas composições com a Câmara.

Reação legislativa

A morte do agricultor Marcos Nörnberg, durante uma operação da Brigada Militar, começa a gerar reação institucional na Assembleia Legislativa. Os deputados Adão Pretto Filho e Zé Nunes (PT), presidentes das Comissões de Cidadania e Direitos Humanos e de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo, irão propor a realização de uma audiência pública conjunta para apurar as circunstâncias da ação policial e cobrar providências do governo do Estado. A iniciativa deve ser apresentada já nas primeiras reuniões dos colegiados e eleva o caso do âmbito operacional da segurança pública para o centro do debate político e institucional.

Para a audiência, estão previstos convites ao chefe da Casa Civil, Artur Lemos, ao secretário estadual da Segurança Pública, Mário Ikeda, ao comandante-geral da Brigada Militar, Cláudio Feoli, além do Ministério Público do RS, do Conselho Estadual de Direitos Humanos e de entidades representativas e especialistas. A bancada do PT/PCdoB sinalizou que a apuração deve ir além do episódio específico, alcançando protocolos, cadeia de comando e critérios de atuação policial, especialmente em operações de alto risco no meio rural.

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