Corregedoria começa a ouvir policiais envolvidos na ação que resultou na morte de Marcos Nörnberg

Investigação

Corregedoria começa a ouvir policiais envolvidos na ação que resultou na morte de Marcos Nörnberg

Prazo regulamentar para a entrega do inquérito pode chegar a 60 dias

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Atualizado quinta-feira,
22 de Janeiro de 2026 às 16:41

Corregedoria começa a ouvir policiais envolvidos na ação que resultou na morte de Marcos Nörnberg
O produtor rural Marcos Nörnberg foi morto dentro de casa durante uma ação da Brigada Militar. (Foto: Cíntia Piegas)

Uma semana após a morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, 48, em ação da Brigada Militar, a expectativa gira em torno do depoimento dos policiais militares. A Corregedoria-Geral iniciou as oitivas nesta quinta-feira (22), no Comando Regional de Polícia do Sul (CRPO/Sul). Já os familiares da vítima prestaram depoimento no Ministério Público.

A viúva Raquel Nörnberg, que esteve a todo momento na cena do fato, já deu sua versão à Polícia Civil e à Corregedoria, sendo este último depoimento considerado o momento mais tenso para a vítima. Na Polícia Civil, as oitivas dos PMs ainda não têm data definida.

De acordo com a assessoria da Corregedoria da BM, o prazo regulamentar para entrega do inquérito é de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20 dias. “Mas se pretende concluir antes desse prazo”, assegura o departamento. Na Civil, o prazo é de um mês, mas com prerrogativa para prazo maior.

“Encerramos os depoimentos dos familiares. No início da semana que vem, vamos encaminhar os pedidos de perícia de tudo que foi apreendido. Na sequência iniciamos os depoimentos dos policiais”, sinaliza a titular da Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Walquiria Mader. Ela explica que, dependendo da complexidade, pode solicitar mais prazo. “Mas, de qualquer forma, a gente está dando agilidade máxima nesse caso. Claro que algumas coisas não dependem de nós, como a perícia. A ideia é concluir no prazo”, projeta.

Esclarecimentos

Raquel Nörnberg relatou a dificuldade emocional de reviver os acontecimentos durante a oitiva na Corregedoria. Segundo ela, o contato com policiais fardados tornou o momento especialmente delicado, mas houve acolhimento para que parte do depoimento fosse prestado no Ministério Público, o que, conforme destacou, trouxe maior sensação de segurança.

Ainda conforme Raquel, outros familiares e testemunhas também prestaram depoimento à Corregedoria ao longo da manhã de ontem. Ela afirmou manter a expectativa de que a investigação seja conduzida de forma isenta e aprofundada, com análise dos vídeos e demais provas recolhidas. “Contra fatos não há teorias”, afirma, ao sustentar que os registros audiovisuais corroboram os relatos apresentados.

A viúva também defendeu que a apuração não se restrinja apenas aos policiais que participaram diretamente da ação, mas alcance eventuais responsabilidades de comando. Segundo ela, independentemente de ter havido autorização formal, a hierarquia deve ser analisada. “O comando precisa ser responsabilizado”, destaca, ao afirmar que seguirá buscando justiça enquanto tiver forças. No domingo (25), às 9h, haverá um culto em memória a Marcos Nörnberg na Igreja São João.

Nota da associação

Em nota, a Associação dos Subtenentes e Sargentos da Brigada Militar de Pelotas (ASSTBM-PEL) informou que tem como compromisso prestar apoio jurídico e social aos seus associados, independentemente da situação. Sobre o caso, a entidade afirmou que sua atuação é, prioritariamente, de apoio jurídico aos policiais que participaram da operação, ressaltando que não cabe à associação fazer julgamento antecipado dos fatos.

A entidade destacou ainda que qualquer posicionamento antes da conclusão das investigações seria precipitado, uma vez que a apuração é atribuição legal da Brigada Militar e da Polícia Civil, por meio da instauração de inquéritos próprios. Por fim, a entidade manifestou solidariedade à família de Marcos Daniel Nörnberg e lamentou a perda.

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