A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) firmou um acordo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) com a empresa Nexus Vert para transformar a casca de arroz – resíduo abundante na Região Sul do Estado – em produtos de alto valor agregado, por meio de tecnologias sustentáveis de biorrefino. A iniciativa tem potencial para gerar empregos, fortalecer a cadeia orizícola e impulsionar a inovação industrial.
O projeto é desenvolvido por meio da Unidade EMBRAPII InovaAgro – Tecnologias para a Agricultura e Agroindústria e será coordenado pelos professores Maurício de Oliveira e André Luis Missio. Segundo eles, a proposta busca demonstrar que é possível transformar a casca de arroz em produtos úteis e economicamente relevantes para a indústria, como sílica, gomas e celulose, com aplicações na construção civil, agricultura, indústria de materiais e embalagens.
O objetivo central é validar a proposta como um processo industrial inovador, sustentável e economicamente viável. “Se essa fase for bem-sucedida, o próximo passo será ainda maior: a instalação, em Pelotas, de uma indústria capaz de realizar esse processo em escala e atender diferentes setores do mercado”, afirma Oliveira.
Arroz: produção e demanda
O sul do Estado está entre as principais regiões produtoras de arroz do Brasil, o que resulta na geração de grandes volumes de casca todos os anos. O aproveitamento desse material, porém, ainda representa um desafio. De acordo com Missio, o projeto surge justamente para enfrentar essa realidade. “Se conseguirmos transformar o resíduo em produtos novos, de alto valor e com mercado consolidado, estaremos criando uma segunda via, fortalecendo toda a cadeia produtiva. Vamos gerar negócios, inovação e empregos”, destaca.
Para a superintendente substituta de Inovação e Desenvolvimento Institucional, Ethel Wilhelm, o acordo responde a um desafio estratégico relacionado à segurança alimentar e à sustentabilidade. Isso porque o crescimento populacional projeta uma população mundial de 10 bilhões de pessoas até 2050, o que deve elevar em cerca de 25% a demanda global por arroz até 2030. “Este é um exemplo de como a UFPel conecta o conhecimento científico a demandas concretas do setor produtivo. Avançamos em tecnologia, geramos oportunidades e ampliamos o impacto positivo para a universidade e para a sociedade”, ressalta.
Iniciativa privada e universidade
Os professores explicam que a iniciativa privada, representada pela Nexus Vert, atua para transformar o conhecimento científico em um negócio viável. “Em outras palavras, a empresa ajuda a transformar a pesquisa em uma solução industrial que se sustenta no mundo real”, afirma Oliveira. Já a universidade contribui com a base científica, é onde surgem novas possibilidades e são analisados os resultados com rigor técnico. Além disso, a instituição forma profissionais que poderão atuar nesse setor no futuro. “A parceria é complementar: empresa e universidade caminham juntas, cada uma fazendo o que sabe melhor”, resume Missio.
Para Ethel, a parceria entre a UFPel e a Nexus Vert reafirma o compromisso com a inovação orientada a resultados e com o desenvolvimento de tecnologias capazes de impulsionar a competitividade, a sustentabilidade e novas soluções para a agricultura e a agroindústria.