Trabalho preventivo faz dengue recuar em Pelotas e Rio Grande

ações

Trabalho preventivo faz dengue recuar em Pelotas e Rio Grande

Municípios intensificam prevenção e reduzem significativamente os casos da doença

Por

Atualizado sexta-feira,
09 de Janeiro de 2026 às 15:29

Trabalho preventivo faz dengue recuar em Pelotas e Rio Grande
(Foto: Jô Folha)

Após um pico de dengue em 2024, o ano de 2025 registrou uma redução significativa dos casos da doença na Zona Sul do Estado. No ano, foram contabilizados 91 casos confirmados, número muito inferior às 757 ocorrências registradas no ano anterior. Entre os municípios que mais contribuíram para essa queda estão Pelotas e Rio Grande, as duas maiores cidades da região. Responsáveis pela Vigilância em Saúde apontam que a intensificação das ações de prevenção foi decisiva para o resultado positivo.

Pelotas e Rio Grande vinham apresentando um crescimento gradual dos casos de dengue ao longo dos últimos anos. Na Princesa do Sul, a circulação do vírus começou a ser registrada em 2021, com quatro casos confirmados. Em 2022, o número subiu para 15 e, em 2023, chegou a 36, até atingir o ápice em 2024, com 591 casos confirmados e um óbito. Já na Noiva do Mar, os registros começaram a aumentar em 2022, com seis casos, passando para 17 em 2023 e alcançando um pico de 80 confirmações em 2024.

Pelotas reduz casos em 90%

Em 2025, Pelotas apresentou uma redução expressiva de quase 90% no número de casos, totalizando 56 confirmações. Desse total, 42 foram autóctones – contraídos dentro do próprio município – e 14 importados, o que indica que, apesar da queda, o vírus ainda circula, porém em patamar muito inferior ao do ano anterior.

A redução é avaliada de forma positiva pela gestão municipal, especialmente porque ocorreu mesmo diante do aumento no número de focos do mosquito. Em 2024, foram identificados 631 focos do Aedes aegypti, enquanto em 2025 esse número saltou para 1.638, reforçando a importância do trabalho preventivo contínuo.

Para a diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Vera Neto, os dados refletem o comprometimento das equipes e o envolvimento da população. “É resultado do trabalho intenso dos agentes de combate às endemias e da participação da comunidade. Esse esforço conjunto é essencial para manter os números sob controle”, afirma.

Ao longo do ano, foram alcançados 156 pontos estratégicos, com a realização de 1.183 borrifações em residências, escolas, unidades de saúde e empresas de transporte. “Sempre que identificamos um foco, a equipe se desloca para realizar o trabalho preventivo e eliminar esse risco”, completa.

Rio Grande aposta no controle

Em Rio Grande, o cenário em 2025 foi semelhante. Ao longo do ano, foram registrados apenas 15 casos de dengue, sendo 10 autóctones e cinco importados, demonstrando uma circulação controlada da doença no município.

Apesar dos baixos números, a Vigilância em Saúde chama atenção para a presença expressiva de focos do mosquito, tanto em 2025 quanto no início de 2026. Esses focos são identificados principalmente por meio das armadilhas instaladas e durante vistorias em residências.

Desde abril do ano passado, o município adotou novas estratégias de controle, como as ovitrampas e as estações disseminadoras de larvicida (EDLs). As ovitrampas permitem identificar o mosquito ainda na fase do ovo, possibilitando um controle mais precoce e eficaz da infestação. Já as EDLs utilizam larvicida em pó, que é transportado pela própria fêmea do mosquito para outros locais com água parada, interrompendo o ciclo de desenvolvimento.

Outra medida importante foi a contratação de novos agentes de combate às endemias. Mais de 60 profissionais foram incorporados às equipes, que atualmente somam 105 agentes. “O controle mecânico, com a eliminação dos criadouros, segue sendo a forma mais eficaz de combate”, destaca a superintendente de Vigilância em Saúde, Michele Meneses.

Ela também aponta a dificuldade de acesso aos imóveis como um dos principais desafios. Segundo Michele, alguns moradores não autorizam a entrada dos agentes ou retiram recipientes antes da vistoria. Ao final, a superintendente reforça o pedido de colaboração da comunidade. Ela lembra que o trabalho é educativo e não punitivo. “Receber os agentes é um gesto simples, mas que faz toda a diferença para manter a cidade protegida”, conclui.

Acompanhe
nossas
redes sociais