O caos positivo da arte de Bero Moraes

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O caos positivo da arte de Bero Moraes

Artista plástico explora uma paleta intensa de cores na série de telas Botanicaos, que expõe até fevereiro

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O caos positivo da arte de Bero Moraes
(Foto: Divulgação)

A nova exposição individual do artista visual Bero Moraes pode ser visitada no espaço do Florica Café, no centro de Pelotas, até o final de fevereiro. Intitulada Botanicaos, a mostra reúne cinco telas de grandes dimensões nas quais o artista explora o universo da botânica a partir de uma paleta intensa de cores e de uma estética marcada pelo contraste e pela experimentação.

Conhecido pelo trabalho no graffiti, linguagem que pratica desde os 15 anos, Bero Moraes, nome artístico de Vinícius Fouchy Moraes Bero, apresenta em Botanicaos sua primeira série dedicada exclusivamente ao tema das plantas. Flores, folhas e cogumelos surgem nas composições de forma livre, sem esboços prévios, construídas diretamente sobre a tela a partir da memória, da observação cotidiana e da relação íntima do artista com a natureza. “Tudo é feito no momento, buscando uma harmonia entre cores e formas, quase como um improviso”, define.

A botânica, no entanto, aparece atravessada por aquilo que o artista chama de “caos positivo”. “Fiz essa série para relaxar, o ano foi perfeito, mas foi um caos positivo. Foi a vez que eu mais expus sozinho, um ano de muita produção. Então pra mim, o caos não é pejorativo”, explica.

As telas foram produzidas no encerramento de um ano especialmente intenso, em que Moraes realizou três exposições, individuais, além de participações em coletivas. Esse ritmo acelerado se reflete nas obras por meio de cores fluorescentes, contrastes elevados e sobreposições de materiais, criando uma tensão entre a ideia de tranquilidade associada às plantas e a energia pulsante que caracteriza sua produção.

Combinação de tintas

Nas obras, Bero utiliza técnica mista, combinando tinta acrílica, spray, pastel seco e oleoso. Parte dos suportes também carrega a marca do reaproveitamento: com arte feita sobre caixa de madeira descartada, ainda com etiquetas e marcas de uso, reforçando o interesse do artista pela experimentação.

Bero chama a atenção para o uso do neon. “Eu gosto bastante de cores neon, fluorescentes, elas funcionam na luz ultravioleta”, comenta. A experiência com a tela sob o ultravioleta, transforma os pigmentos em neon e traz uma outra percepção das pinturas, revelando novas camadas visuais.

Trabalho de ateliê

Embora o spray remeta à origem no graffiti, Bero destaca que se trata de um trabalho de ateliê, distante da lógica da intervenção urbana. “Hoje eu me entendo mais como artista plástico, interessado em processos, materiais e cores, mais do que em um traço perfeito”, afirma.

A exposição foi realizada no Florica Flor e Café à convite dos proprietários, segundo o artista, a proposta é que a cafeteria também funcione como espaço expositivo, ampliando o acesso à arte contemporânea no centro de Pelotas. A casa fica na rua 15 de Novembro, 671 e está aberta em horário comercial. As obras estão à venda.

Audiovisual e graffitti

Botanicaos também dialoga com a própria elaboração do luto. Entre as ações que marcaram o 2025 de Bero estava a homenagem ao amigo e grafiteiro bageense Téo Gomes, falecido em abril, aos 35 anos, vítima de câncer. O projeto incluiu um vídeo e uma série de telas produzidas com cinzas, repositórias da cremação do corpo do artista, misturadas à tinta, apresentado em espaços como a Galeria 4 e a Associação Otroporto.

Bero Moraes ainda inaugurou, no dia 13 de abril, a exposição individual Splayground, na 4 Galeria Café, com curadoria de Mariana Rachinhas. Em agosto foi diretor artístico da 12ª edição do Sprayson’s, além de ter integrado o elenco de artistas convidados.

A ação, idealizada por ele, aconteceu na Coronel Pedro Osório, junto ao Dia do Patrimônio, quando os tapumes da obra dos banheiros da praça foram grafitados. O projeto, a partir de parceria entre a Prefeitura e a Associação Otroporto, ainda contou com os artistas Mariana Pouey, Fernanda Moreira, Aloísio x.lorem ipsum e Agabê.

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