Há três anos os episódios de destruição ocorridos durante os atos antidemocráticos, em 8 de janeiro de 2023, em Brasília, resultaram em dezenas de obras de arte totalmente ou parcialmente danificadas. Devolver parte desse patrimônio aos brasileiros foi tarefa de quase um ano de uma equipe do curso de Conservação e Restauro de Bens Culturais Móveis da Universidade Federal de Pelotas. Esse trabalho foi documentado de diferentes formas resultando em um livro, uma exposição fotográfica e no documentário 8 de Janeiro: Memória, Restauração e Democracia, dirigido por Michael Kerr, professor dos cursos de Cinema da UFPel. Obra que será exibida hoje, às 20h, para todo o país, através do Canal Gov.
O projeto Patrimônio Cultural dos Palácios Presidenciais: valorização e promoção da democracia a partir da conservação-restauração dos bens culturais vandalizados dos Palácios do Planalto e Alvorada, iniciado em 2024, foi realizado a partir de Termo de Execução Descentralizada (TED), assinado entre UFPel e o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan).
A iniciativa foi desenvolvida pelo Laboratório Aberto de Conservação e Restauração de Pintura (LACORPI/UFPel), vinculado ao Curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da Universidade. A execução do restauro teve a coordenação das professoras doutoras Andrea Lacerda de Bachettini e Karen Velleda Caldas.
Trabalho coletivo
A produção audiovisual é resultado também de um trabalho coletivo desenvolvido na Universidade, com a direção de fotografia do técnico em audiovisual André Barcellos. O documentário ainda contou com a participação de estudantes dos cursos de Cinema e Audiovisual e de Música da UFPel.
O filme registra o processo de restauração de obras de arte e bens culturais vandalizados durante os ataques, que tiveram como alvo, entre outros prédios, o Palácio do Planalto, um dos principais símbolos da democracia brasileira. De acordo com a direção, a obra propõe uma reflexão sobre a preservação do patrimônio cultural como instrumento de resistência, memória e fortalecimento democrático.
Convite do Iphan
O professor Michael Kerr, diretor da obra, conta que o convite para a exibição foi do Iphan. O Instituto, financiador do projeto, foi quem fez contato com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da qual o Canal Gov integra o seu conglomerado de mídia.
Exibir o documentário em rede nacional é importante para a equipe. “Será uma oportunidade de chegarmos a um bom número de pessoas em uma única exibição. Um trabalho da UFPel chegando em todos os estados do Brasil”, fala. Nos próximos dias o doc irá para o Canal Brasil, também da EBC.
Vinte obras
Realizado por meio de parceria entre Iphan e a Diretoria Curatorial dos Palácios Presidenciais (DCPP), com apoio da Fundação Delfim Mendes Silveira (FDMS), da UFPel, o projeto resultou na restauração de 20 obras de arte do acervo da presidência da República, reafirmando o papel da conservação patrimonial na reconstrução simbólica e material da democracia.
Ao longo de 2025, o documentário foi exibido em diversas salas de cinema pelo país, acompanhado de debates públicos nas cidades de Porto Alegre, Pelotas, Brasília e Belém, ampliando o diálogo com a sociedade sobre memória, patrimônio e cidadania. Segundo os produtores, a exibição nacional pela TV Brasil reforça a relevância do trabalho desenvolvido na universidade pública e marca simbolicamente os três anos dos acontecimentos de 8 de janeiro.
