Em entrevista à Rádio Pelotense nesta quarta-feira (7), o prefeito de São Lourenço do Sul, Zelmute Marten (PT), declarou que prepara um plano para a estatização dos serviços de água e esgoto na cidade, atualmente administrados pela empresa Corsan/Aegea. A decisão foi tomada após a interrupção no abastecimento de água nos primeiros dias de 2026, que acarretou prejuízos para o turismo e para os moradores. Conforme relatos, em alguns bairros a falta de água se estendeu por quatro dias.
Segundo Marten, a distribuição de água na cidade está em “uma situação de colapso”, e a falta de abastecimento no verão se tornou uma ocorrência crônica. “Eu passei todo o ano de 2024, como candidato, em reuniões e, muito especialmente, todo o ano de 2025 tratando de água e esgoto, e alertei durante todo o período a Aegea: vai faltar água no verão porque já havia faltado água no verão de 2025”, afirma.
O alerta se concretizou no dia 2 de janeiro, quando as praias de São Lourenço do Sul estavam lotadas de turistas em estadia de temporada e o fornecimento de água foi interrompido.
Além de prejudicar o turismo, em vários bairros moradores chegaram a ficar quatro dias sem o serviço básico. Em uma publicação da prefeitura nas redes sociais sobre a falha no abastecimento, a maioria dos comentários era semelhante ao de uma das moradoras:
“Todo ano, quando chega o verão, é isso. Já não deveria ter mudado essa situação? Querem encher a cidade de pessoas e não dão conta, isso quando não começam as quedas de energia. Quem mora aqui está trabalhando, e o mínimo é ter água para tomar banho quando se chega em casa.”
Conforme o prefeito de São Lourenço do Sul, o desabastecimento de água no verão é ocasionado pela falta de modernização da rede de abastecimento, construída nas décadas de 1960 e 1970.
“Os investimentos não estão sendo feitos para a modernização, então eu estou diante, neste momento, de um colapso e do desrespeito ao contrato. A nossa população está sofrendo com o desabastecimento de água e com a má qualidade do que está sendo fornecido”, reitera Marten.
O prefeito afirma ainda que o município tomará medidas legais para punir a Corsan/Aegea pelas falhas no serviço e que notificará a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) com uma reclamação sobre o descumprimento do contrato de abastecimento de água pela empresa.
A reestatização
Quanto à possível estatização do fornecimento de água e do tratamento de esgoto no município, Zelmute Marten diz estar em tratativas sobre o tema com o BNDES e que o plano inicial seria, primeiro, a implementação de um departamento municipal de drenagem para, posteriormente, constituir uma empresa pública municipal de água, esgoto, drenagem e resíduos. “O município de São Lourenço do Sul está caminhando a passos largos rumo à reestatização da água e do esgoto”, salienta.
A reportagem entrou em contato com a Corsan solicitando um esclarecimento sobre os episódios de falta de água na cidade, mas não recebeu retorno até o momento.