Lideranças empresariais projetam 2026 desafiador, mas estratégico para Pelotas

Diagnóstico

Lideranças empresariais projetam 2026 desafiador, mas estratégico para Pelotas

Ano que começa é considerado decisivo para transformar expectativas em ações concretas

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Lideranças empresariais projetam 2026 desafiador, mas estratégico para Pelotas
Áreas como indústria, construção civil, educação e saúde devem demandar mais profissionais. (Foto: Jô Folha)

Após um 2025 marcado por oscilações econômicas, juros elevados e incertezas no cenário nacional, as expectativas para 2026 em Pelotas misturam cautela e otimismo estratégico. O diagnóstico é compartilhado por lideranças empresariais que representam setores importantes da economia local como comércio, agronegócio, varejo e desenvolvimento regional.

Jorge Almeida, da Aliança Pelotas; Daniel Centeno, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Pelotas (CDL); e José Luis Kessler, da Associação Rural de Pelotas (ARP), apontam caminhos convergentes para destravar o crescimento da Zona Sul.

Infraestrutura defasada, escassez de mão de obra qualificada, alto custo do crédito e burocracia excessiva aparecem como entraves recorrentes. Por outro lado, investimentos previstos na região, a possível retomada de cadeias produtivas estratégicas, o fortalecimento do associativismo e a integração regional com Rio Grande são vistos como oportunidades que podem redefinir o papel de Pelotas no desenvolvimento econômico do sul do Estado.

Aliança Pelotas: infraestrutura, inovação e representatividade política

Para o presidente da Aliança Pelotas, Jorge Almeida, 2025 foi um ano de “grandes desafios e transformações”, com avanços importantes, mas também com impactos negativos relevantes sobre a economia regional. Entre os pontos positivos, ele destaca o avanço da duplicação da BR-116, a conquista do pronto-socorro regional e a perspectiva de exploração da Bacia de Pelotas, considerados marcos estruturantes para o futuro da Zona Sul.

No campo negativo, o cenário foi pressionado por juros elevados, alta carga tributária, efeitos de embargos internacionais e frustrações de safra, somadas à queda nos preços das commodities. Esse conjunto de fatores, segundo Almeida, limitou investimentos e ampliou a inadimplência de consumidores e empresas.

Para 2026, a Aliança Pelotas aposta na recuperação do agronegócio, na confirmação de descobertas de petróleo e gás na Bacia de Pelotas e no avanço do Parque Tecnológico 2, com foco no Arranjo Produtivo Local (APL) da Saúde. A entidade defende investimentos prioritários em infraestrutura logística, como a construção do lote 4 da BR-392, a nova ponte entre Rio Grande e São José do Norte e a recuperação da ponte do São Gonçalo.

A demanda por mão de obra qualificada nas áreas da indústria, educação e saúde é vista como um dos principais gargalos, ao lado da necessidade de reformas estruturais, como a administrativa e a política, e de melhorias no ambiente regulatório, especialmente no atendimento às micro e pequenas empresas.

“A Aliança Pelotas reforça seu papel no fomento ao associativismo, na integração com o setor público, universidades e instituições como o Sebrae, além do incentivo ao empreendedorismo jovem e feminino”, diz Almeira. Para ele, em 2026 será preciso vender melhor a região, acreditar no potencial local, investir e fortalecer a representatividade política da Zona Sul como vetor de oportunidades.

CDL Pelotas: resiliência do comércio e aposta na retomada gradual

O integrante do Conselho da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Pelotas, Daniel Centeno, avalia 2025 como um ano de “altos e baixos”, marcado pela resiliência do comércio varejista diante de um ambiente adverso. Para ele, um dos grandes méritos do período foi a capacidade dos empresários de se manterem ativos, investindo em gestão, modernização e tecnologia para enfrentar margens apertadas e custos fixos elevados.

Entre os pontos positivos, Centeno destaca a melhoria da gestão interna das empresas e a atração de investimentos, como a abertura de novos hotéis na cidade, que fortalecem o turismo e a realização de eventos. Já entre os fatores negativos, aparecem a perda do poder de compra da classe média, a infraestrutura regional limitada, a indefinição sobre pedágios e a elevada carga tributária, que desestimula novos empreendimentos, especialmente em um cenário de Selic elevada.

Para 2026, a expectativa é de uma retomada gradual, com os primeiros meses ainda de acomodação econômica, seguidos por melhora impulsionada pela possível queda da taxa Selic. “A CDL aposta no turismo como motor imediato de crescimento e na continuidade da construção civil como componente relevante do PIB regional”, diz.

Centeno defende que Pelotas se posicione de forma complementar a Rio Grande, preparando e qualificando mão de obra para absorver oportunidades geradas pelos investimentos no Porto. A entidade projeta um 2026 focado no fortalecimento do associativismo, com a retomada das atividades no prédio histórico da Félix da Cunha, aproximando ainda mais a CDL de seus associados.

A qualificação profissional aparece como prioridade transversal, especialmente para atender às demandas do comércio e dos serviços, que carecem de profissionais com habilidades técnicas e digitais.

Associação Rural de Pelotas: crédito, logística e inovação no centro da agenda

O presidente da Associação Rural de Pelotas, José Luis Kessler, avalia 2025 como extremamente desafiador para o agronegócio gaúcho, ainda sob os efeitos da enchente de 2024 e de secas anteriores. Apesar de o setor manter participação expressiva nas exportações do Estado, o endividamento, a inadimplência, a escassez de crédito e a queda nos preços de produtos como arroz e soja acenderam alertas.

Entre os pontos positivos, Kessler destaca o desempenho exportador, a geração líquida de empregos e a recuperação de segmentos como a pecuária e o fumo. “Para 2026, a expectativa é de consolidação das vocações tradicionais, com maior foco em inovação, eficiência produtiva, redução de custos e gestão profissional.”

A ARP aponta como entraves centrais a deficiência da infraestrutura logística, a baixa industrialização da região e a falta de mão de obra qualificada. A entidade defende investimentos em novos modais logísticos, fortalecimento do crédito, melhoria do ensino técnico e simplificação do ambiente regulatório.

“No campo institucional, espera-se do poder público federal a redução da carga tributária, estímulo à exportação e segurança jurídica; do Estado, uma política fiscal competitiva e desburocratização; e do município, agilidade nos licenciamentos e investimentos em saneamento e energia”, enumera Kessler.

Entre os projetos estratégicos, o presidente destaca a revisão do planejamento da entidade e a realização da 100ª Expofeira, vista como um marco para a promoção de negócios e a integração entre o meio rural e urbano.

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