Desde o lançamento da 9ª Operação Verão Total, em 13 de dezembro, as praias do Litoral Sul do Estado já registraram quase seis mil casos de queimaduras causadas por águas-vivas, sendo a maior parte delas na praia do Cassino, 10 salvamentos e duas mortes por afogamento. Além disso, 19,5 mil ações de prevenção foram realizadas, que compreendem orientações passadas aos banhistas para garantir a segurança nas orlas da região.
O maior número de ocorrências, de responsabilidade dos guarda-vidas do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), estão na praia do Cassino. Por conta da maior circulação de veranistas, principalmente nos últimos dias de 2025 e primeiros dias de 2026, os registros saltaram. São, até o momento, 5.279 queimaduras por águas-vivas no Balneário, 388 no Hermenegildo (Santa Vitória do Palmar), 128 na praia do Mar Grosso (São José do Norte),111 em Tavares e 86 na Barra do Chuí.
Cuidados
O capitão Gabriel Castro, da Companhia de Guarda-Vidas do Litoral Sul, orienta que as pessoas lavem o local afetado pela queimadura com água do mar, sem esfregar ou tocar com as mãos, para evitar eventual nova lesão pela toxina que ainda está na pele. Depois, deverão ser aplicadas compressas de vinagre (ácido acético 5%) por 10 minutos no local da lesão, para ajudar a neutralizar a toxina.
Castro também reforça que a remoção de eventuais tentáculos que ainda estejam na pele deverá ser feita com o uso de uma pinça ou um palito de picolé, por exemplo, para evitar a continuidade da ação da toxina, e depois aplicar uma compressa de vinagre por 30 minutos. Também pode-se aplicar compressas geladas para ajudar na diminuição da dor, mas o capitão reforça o cuidado para que não seja utilizado gelo, uma vez que a água doce pode piorar a sensação de queimação causada pelas lesões por águas-vivas.
“Deve-se, posteriormente, observar a reação da pessoa com relação a esse envenenamento, pois pode apresentar sintomas como cefaleia, vômitos, náuseas e até reações alérgicas com dificuldade respiratória, nesses casos deslocar o mais rápido possível para o atendimento médico”, frisa o comandante dos guarda-vidas.
Afogamentos
De acordo com o Corpo de Bombeiros, foram registrados 23 afogamentos no Litoral Sul, onde quase metade deles envolvem pessoas de 10 a 20 anos. A média é de 25 anos entre os atendidos, sendo 13 homens e 10 mulheres, até o momento. O capitão Castro afirma que a causa predominante é a imprudência dos banhistas. “Geralmente, os casos de afogamento envolvem adolescentes, que não conhecem os perigos do mar e, por vezes, descumprem as orientações dos guarda-vidas”, diz.
Entre as quase 20 mil ações de prevenção desempenhadas pelos guarda-vidas nas praias do Litoral Sul, a maior parte delas é direcionada para a orientação de banhistas quanto aos perigos dos mares e lagoas, profundidade e as mudanças de correnteza, que podem pegar muitos de surpresa, podendo levar a afogamentos.
Seguindo a mesma tendência dos outros números, as praias que mais necessitam desta intervenção são a do Cassino e do Hermenegildo.
Mortes
Desde o início da Operação Verão, foram registradas duas mortes por afogamento no Laranjal, em Pelotas.
A primeira delas aconteceu no dia de Natal, quando um corpo foi avistado pelos veranistas boiando próximo ao trapiche. A vítima foi identificada como Osmar Floriano de Lima, 53. Ele foi retirado da água pelos guarda-vidas e não havia sinal de violência.
O segundo caso ocorreu às 15h45min da véspera de Ano Novo, com a identificação de um corpo encontrado também próximo ao trapiche, passando a segunda guarita no sentido centro-trapiche. A vítima foi César Augusto da Silva Santos Junior, 46.
O Corpo de Bombeiros Militar não contabiliza em seu controle operacional as duas mortes registradas no Laranjal, ainda que a perícia tenha apontado como causa o afogamento. Segundo explica o responsável pela Companhia dos Guarda-Vidas do Litoral Sul, a morte do dia 25 de dezembro foi constatada como mal súbito, não integrando as estatísticas de afogamento. Quanto ao caso do dia 31, não há testemunhas que tenham visto a vítima se afogar no local, uma vez que foi um encontro de cadáver na praia. “Nossos guarda-vidas só ajudaram a retirar o homem da água, mas é uma ocorrência que o Corpo Bombeiros de Pelotas atendeu”, explica Castro.