Há 65 anos
Pelotas recebeu em 30 de novembro de 1960 a escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977). A mineira, autora de Quarto de despejo: Diário de uma favelada, visitou o município durante a 1ª Feira do Livro. O best seller tinha sido lançado naquele ano.
Carolina Maria chegou em Pelotas de ônibus, por volta das 9h40min, quando foi recepcionada por uma comitiva formada por livreiros, editores, autoridades, líderes do Fica Ahí e imprensa.
Despretensiosamente, deixou a comitiva de lado por alguns segundos e foi cumprimentar um gaúcho vestido com as típicas roupas campeiras, que observava a movimentação em torno dela. A autora estendeu a mão e disse ao estranho: “Como é compadre, está cansado. Que preguiça é essa, nem vem cumprimentar a gente não?” .

Autora esteve na primeira edição da Feira do Livro (Foto: Reprodução)
À noite foi homenageada no Clube Cultural Fica Ahí, uma iniciativa da diretoria da entidade, que percebeu a relevância da vinda da escritora negra ao município, com o apoio do jornal A Alvorada. A autora mineira fez em Pelotas a sua primeira sessão de autógrafos no Rio Grande do Sul. “Carolina chegou com um ar calmo e dando a impressão que trazia, dentro de si, um certo temor íntimo que a celebridade repentina lhe havia emprestado”, descreveu o escritor Aldyr Garcia Schlee, na época jornalista.
Celebridade
Acompanhada pela jornalista Elsa Heloísa, da revista Leitura, do Rio de Janeiro, Carolina foi hospedada no Hotel Rex, que ela elogiou pela limpeza e pela vista, Carolina fez um tour pela cidade e tomou um cafezinho no café Nacional, atual Aquários, e comeu um doce na confeitaria Nogueira. Ela também almoçou no restaurante Willy e teve um encontro com o prefeito.
A Schlee deixou escritas algumas de suas impressões sobre a cidade e seus moradores. “Sua entrada na prefeitura, provocando aquela estupefação natural, foi semelhante a desses políticos famosos. É que Carolina é assim mesmo: naturalidade e espontaneidade, ao lado dum poder assimilativo espantoso, são as características mais marcantes dessa mulher que ganhou a fama de uma hora para outra”, escreveu o jornalista.
Sobre a conversa com o prefeito João Carlos Gastal, ela escreveu: “Falamos das favelas no Brasil e o seu problema. Falamos das escolas no Estado do Rio Grande do Sul…Eu disse para o senhor prefeito que deve ser obrigatório o curso primário completo no Brasil…”, relatou a escritora.
Primeiro do interior
A primeira edição da Feira do Livro de Pelotas foi realizada entre os dias 25 de novembro e 4 de dezembro, na praça Coronel Pedro Osório, na alameda da rua 15 de Novembro. O evento estreou essa modalidade de evento no interior do Estado.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense
Há 45 anos
Cyro Martins autografa na praça Coronel Pedro Osório

Escritor e psiquiatra
lançou A dama
do saladeiro (Foto: Divulgação)
O escritor gaúcho Cyro Martins era o autor convidado para a sessão de autógrafos da 8ª Feira do Livro de Pelotas, no dia 29 de novembro de 1980. No município, o escritor lançou A dama do saladeiro. O evento foi realizado na praça Coronel Pedro Osório, de 26 de novembro a 5 de dezembro de 1980, com a participação de 12 livreiros.
Trilogia do gaúcho a pé
O escritor e psicanalista Cyro dos Santos Martins nasceu em Quaraí, 5 de agosto de 1908 e morreu em Porto Alegre, 15 de dezembro de 1995. Integrou o grupo dos romancistas da chamada “Geração de 30”, relacionado ao neo-realismo, tanto pela temática quanto pela linguagem.
Foi responsável pela introdução, na literatura regional, do tipo gaúcho já influenciado por novos costumes. Seu livro de estréia, Campo fora (1934), já trazia a temática que o autor desenvolveria posteriormente. Suas três obras básicas, Sem rumo (1937), Porteira fechada (1944) e Estrada nova (1954), compõem a Trilogia do gaúcho a pé, retratam o homem dos pampas, marginalizado pela nova ordem econômica, social e cultural gerada pelo processo de industrialização e concentração urbana.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; wikipedia.org