Apesar de nesta semana termos uma estreia de calibre — estou falando de Ladrões (Caught Stealing, 2025), de Darren Aronofsky —, proponho, antes que saia de cartaz, destacar outro marco deste ano: A Hora do Mal (Weapons), de Zach Cregger.
O terror, que finalmente ganhou uma sessão legendada nas últimas semanas, trata do desaparecimento súbito de quase todas as crianças da mesma classe numa escola estadunidense. Todas elas somem em uma madrugada, exatamente às 2h17min, em direção desconhecida e para nunca mais serem vistas. As suspeitas recaem, é claro, sobre a professora da turma, Justine (em interpretação primorosa de Julia Garner). Pais e a comunidade começam a teorizar a respeito e até mesmo a perseguir Justine que, como se nota, é alcoólatra.
Mas isso é apenas o ponto de partida de Cregger para abordar, através de uma grande alegoria de horror, questões relativas ao luto e ao vício. E esses são temas caros ao diretor e roteirista, já que viveu de perto a dependência alcoólica da mãe durante a infância e a perda recente de um grande amigo. Com esse histórico tão pessoal, Cregger explora dramaticamente (e até comicamente) o que o horror estadunidense consegue fazer de melhor: embaralhar a cabeça do espectador, apresentar diferentes perspectivas sobre a comunidade e tratar de forma excepcional a psique norte-americana.
A Hora do Mal é um atestado claro de que Cregger se junta agora à companhia de outros grandes realizadores que atualmente subvertem o horror, como Jordan Peele, Ari Aster, Oz Perkins e David Robert Mitchell. Mesmo evitando chamar o seu filme de político, Cregger criou uma obra robusta e aterrorizante sobre as estruturas de seu país e sobre onde se escondem os temores e traumas de uma nação. E isso, sinto dizer, é extremamente político.