Três entidades estão liderando o Encontro Nacional do Programa Mulheres Mil, que vai até quarta-feira (30). Este é o primeiro evento desse porte com o objetivo de promover troca de experiências e vivências entre os profissionais, bem como discutir os desafios administrativos e pedagógicos de quem desenvolve este programa instituído pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC). A realização é do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), em parceria com os Institutos Federais Sul de Minas (IFSul-DeMinas) e do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE).
A abertura oficial ocorreu no auditório Enilda Feistauer, do IFSul/câmpus Pelotas, da praça 20 de Setembro, e contou com a presença de participantes de diferentes estados. O Mulheres Mil é proposto para promover formação profissional e geração de renda para mulheres cisgênero, transgênero e travestis em situação de vulnerabilidade social e econômica, mas vai além. As ações desenvolvidas nos Campus têm auxiliado no aumento da autoestima e estimulando a consciência do autocuidado nas participantes.
Início em 2011
O IFSul Campus Pelotas desenvolve este programa desde 2011, através da Diretoria de Pesquisa e Extensão. “O IFSul tem uma história bem bacana, muito com méritos da Lígia Maciel Gonçalves (coordenadora do programa). E hoje a gente tem, em torno de sete a oito Campus dos nossos 14 envolvidos com Mulheres Mil. É um projeto para nós muito caro. Inclusive temos uma demanda reprimida de vagas, que é uma coisa interessante porque quando se vê esse programa acontecer, os outros campus se empolgam, muito pelo retorno tão grande que a gente tem”, fala a pró-reitora de Extensão, professora Carolina Barros.
A pró-reitora comenta que uma das características mais importantes do programa é a baixa evasão. Os cursos promovidos terminam com quase 100% das nossas alunas. Essa adesão Carolina atribui ao engajamento das equipes.
Não há um acompanhamento formal após a conclusão dos cursos, mas Carolina comenta que como é um programa que recebe muito bem, é difícil perder o contato com as alunas. Até porque muitas voltam à instituição para fazer outros cursos. “O efeito do programa é conquistar essas mulheres para a autoestima delas. Estamos entrando no quarto ciclo, atingindo em torno de 450 a 500 mulheres aqui no IFSul”, fala Carolina Barros.
Identificação
“A gente tem essa mesma roupagem da geração de renda. Então, lá, como eu tenho uma região muito frutífera, então, a gente trabalha também os cursos de alimentos lá. Nós já tivemos cursos de preparadoras de doce e conservas”, comenta a professora Leopoldina Amorim, do IF Sertão Pernambuco. A professora fala que em Pelotas será a oportunidade de ver o que deu certo ou não, o que se tentou adaptar. “Com essa troca a gente vai se identificando porque são várias dificuldades que a gente enfrenta também”, diz Leopoldina.
A professora Isabel Ribeiro do Vale Teixeira conta que o Mulheres Mil chega a 20 municípios através do IFSul de Minas. Os cursos são relacionados ao perfil de cada grupo, junto com a demanda da região. “Fazemos uma pesquisa na comunidade para saber qual o curso deve ser desenvolvido”, diz. O público-alvo passou por formação em maquiagem, cuidador de idoso, depilação, confeitaria e biojóias, entre outros. “Às vezes a cidade é turística e tem uma demanda.” O curso não é só profissionalizante, junto tem saúde da mulher, cidadania, educação financeira, inclusão na informática, vão aprimorar essa profissional de forma integral.
Curso de bordado
A artesã Dalmira da Costa Elesbão, 71, participou do curso de bordado em pedrarias, mas não concluiu. “Mas me ajudou, peguei alguma técnica que eu não sabia e gostei das palestras das professoras pra gente se cuidar. Valeu a pena, só não pude continuar porque tive de viajar”, conta.
