Desaceleração ameaça economia regional, apesar do potencial do Porto

Cenário local

Desaceleração ameaça economia regional, apesar do potencial do Porto

Segundo economistas, política monetária nacional e falta de planejamento estratégico são os principais fatores negativos

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Desaceleração ameaça economia regional, apesar do potencial do Porto
Avaliação é que inflação pode afetar itens essenciais de consumo e, por consequência, setores da economia. (Foto: Jô Folha)

Com a tendência de desaceleração da economia brasileira a partir do segundo trimestre de 2025, os impactos também devem ser sentidos em Pelotas e região. Apesar do potencial do Porto de Rio Grande para atrair indústrias, economistas alertam que a política monetária nacional e a falta de planejamento estratégico podem dificultar o desenvolvimento econômico local.

O economista Ezequiel Megiato avalia que o primeiro trimestre de 2025 teve um desempenho positivo na economia regional, especialmente no mercado de trabalho. Pelotas e a região Sul registraram um saldo positivo de quase duas mil vagas de emprego, conforme dados do Caged, com Pelotas liderando os números por ser a maior cidade da região.

Ele lembra que as expectativas para a economia regional no início do ano eram favoráveis, impulsionadas pelo anúncio de investimentos públicos e privados, especialmente em relação ao Porto de Rio Grande. No entanto, ele ressalta que esses investimentos precisam ser concretizados para garantir um impacto duradouro. “A expectativa positiva se mantém, mas precisa ser chancelada”, diz o economista.

Paralelo com o país

Ao traçar um paralelo com o cenário nacional, ele observa que a geração de empregos na região acompanhou a tendência do país. No entanto, o contexto econômico nacional aponta para uma estagnação relativa, com o crescimento se mantendo em níveis baixos. “Há um crescimento vegetativo no Brasil. Não é o nosso caso. A região Sul tem um crescimento de empregos significativo para os números da região”, reitera.

Inflação como desafio central

Um dos principais desafios, segundo ele, é a inflação, que, embora esteja dentro da meta do Banco Central, afeta principalmente itens essenciais, como a cesta básica e os alimentos. Como grande parte da população brasileira destina a maioria da renda à subsistência, qualquer aumento nos preços tem um impacto significativo bolso dos consumidores.

Aumento da taxa de juros

Megiato também aponta que a alta taxa de juros, mantida pelo Banco Central para controlar a inflação, acaba limitando um crescimento maior da economia. Além disso, destaca que a política fiscal do governo federal, com gastos elevados, contribui para a necessidade de medidas monetárias mais restritivas. “O número de empregos na região é bom, mas a gente vive um certo estrangulamento, porque a economia não cresce com a taxa de juros elevada”.

Impactos do cenário externo

Outro fator relevante para os próximos meses, segundo o economista, é o impacto das relações comerciais internacionais. As políticas protecionistas adotadas pelo Brasil, que tradicionalmente impõe altas tarifas sobre produtos importados, levaram a uma retaliação por parte dos Estados Unidos, que aplicam taxas equivalentes sobre produtos brasileiros. “Isso não interessa a ninguém que queira comercializar. Temos um histórico antigo de taxar muito os outros, e agora a gente começou a ser taxado também”, conclui Megiato.

Cenário em Pelotas

Para o economista João Carlos Madail, a economia de Pelotas segue fortemente baseada nos setores de comércio e serviços, que representam quase 80% do PIB municipal. A indústria tem participação reduzida, com menos de 15% da atividade econômica, apesar da presença de algumas agroindústrias de alimentos. A construção civil também se destaca, especialmente na geração de empregos.

Ele destaca que a cidade possui um forte setor agrícola, com produção relevante de grãos, pecuária e frutas — sendo responsável por mais de 90% do pêssego em conserva do Estado. No entanto, ressalta que a ausência de um plano municipal de desenvolvimento econômico dificulta avanços estruturais. Além disso, a localização da cidade, distante dos grandes centros consumidores, encarece o transporte e limita a competitividade de algumas cadeias produtivas.

Projeção para o trimestre

Para o próximo trimestre, Madail avalia que o cenário deve permanecer estável, sem grandes mudanças estruturais. Entretanto, assim como Megiato, ele vê a aproximação com o Porto de Rio Grande como uma oportunidade de impulsionamento da economia local, principalmente na atração de indústrias voltadas à exportação ou até mesmo montadoras de veículos. “Pelotas tem enormes potenciais e está próxima do maior porto exportador do Estado”, analisa.

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