A campanha presidencial de 2026 começou na última quarta-feira (26), a mais de um ano e meio ainda para o primeiro turno. O julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que transformou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete nomes em réus por tentativa de golpe de Estado em 2022, foi o pontapé inicial do processo e sepultou qualquer esperança da extrema-direita de contar com a volta de Bolsonaro na disputa contra o PT de Lula. A partir de agora, as negociações serão em torno da sucessão ao posto que ele ocupava no imaginário ideológico. Além das possibilidades daqueles que se veem como alternativa à polarização.
Do outro lado da balança, o governo Lula chega ao final do terceiro mês de 2025 com o índice de rejeição nas alturas. Acompanhado de ingredientes econômicos indigestos, como a alta no preço dos alimentos, a inflação pronta para desafiar as metas de controle, a taxa de juros batendo recordes (com previsão de outro aumento em maio) e a desaceleração no ritmo de crescimento. Um quadro sem perspectiva de melhora a curto prazo. Se as eleições fossem hoje, Lula teria grande dificuldade em convencer os eleitores, cada dia mais incomodados. Trava uma corrida contra o tempo para melhorar o que não está bom. E com 58% do mandato cumprido, tempo é o que menos o governo tem no calendário.
O momento é de intensa análise por parte dos partidos com nomes e bases sustentáveis para a disputa. Foram oxigenados pelo STF. A herança política deixada por Bolsonaro a seu substituto nas urnas terá novo rosto e discurso. Seu sucessor natural é o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), ainda em processo de convencimento. Por fora e alinhados a outras ideias políticas correm os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Romeu Zema (Novo-MG), Eduardo Leite (PSDB-RS) e Ratinho Junior (PSD-PR).
Internamente, os partidos também se reinventam antes da campanha. O Cidadania anunciou o fim da federação com o PSDB e o desejo de voltar a andar com as próprias pernas. Os tucanos, legenda que mais perdeu cadeiras nas prefeituras nas eleições de 2024 e que encolheu significativamente no Congresso, negociam uma fusão. As conversas acontecem com o Podemos e o Republicanos. A decisão é aguardada para as próximas semanas. Já o PP deve juntar-se ao União Brasil, criar o maior grupo político da Câmara dos Deputados e superar a bancada do PL.
O Brasil começa a viver as eleições presidenciais. A partir de agora as conversas tendem a se tornar mais resolutivas, sabendo-se quem pode concorrer e quem está fora do jogo. Historicamente, a urna lota com rostos que só aparecem a cada quatro anos e depois pouco se escuta falar. No último pleito os brasileiros tiveram 11 nomes para escolher ao Palácio do Planalto. E alguém ainda lembra de Felipe D’Avila (Novo), Léo Péricles (UP), Sofia Manzano (PCB) e Vera (PSTU)? Paralelamente, os governos dos estados e o Senado são a válvula de escape aos que não conseguem concorrer à vaga mais desejada.
A contagem regressiva terá início no segundo semestre com três certezas: um ex-presidente fora da partida, um presidente que não engrena em campo e vários governadores no aquecimento, prontos para entrar no jogo.