Documentos referentes às atividades da prefeitura de Pelotas ao longo dos últimos 50 anos, bem como o histórico trabalhista de servidores e autônomos, entre outros processos, estão jogados no chão de um depósito em meio a água parada e insetos há pelo menos dois anos.
As quatro mil caixas do arquivo geral foram encontradas dessa forma no Departamento de Veículos e Oficinas (DVO). Nos próximos três anos, uma equipe do curso de História da UFPel irá trabalhar para tentar recuperar o acervo.
Todo o arquivo geral ficava armazenado no prédio centenário da rua Benjamin Constant, 1544. No entanto, o telhado desabou há alguns anos e, em 2019, cerca de oito mil caixas foram transferidas para o segundo andar da rodoviária.
O restante das doze mil caixas ficou em uma espécie de galpão do DVO, onde foram encontradas em estado de deterioração pela nova gestão da Secretaria de Administração e Recursos Humanos.
São documentos como fichas funcionais, financeiras e remuneratórias de servidores ativos e inativos; contratos de trabalho de celetistas, estatutários, autônomos e cargos em comissão; decretos, portarias, licitações, entre outros.
Boa parte das caixas estão molhadas pela infiltração e os papéis parcialmente desmanchados ou com a tinta borrada. “É a vida administrativa da prefeitura que está aqui e dos seus trabalhadores e funcionários. Então se tu precisar, por exemplo, de um documento para se aposentar, ele pode estar aqui”, diz o professor de História da UFPel, Aristeu Lopes.

O professor Aristeu Lopes e o orientando Euler Zanetti mostram o estado dos documentos. (Foto: Jô Folha)
Ele será responsável, com o orientando de doutorado Euler Zanetti, por trabalhar na recuperação do que for possível dos documentos. O primeiro passo será uma triagem emergencial das caixas para selecionar os arquivos mais passíveis de recuperação.
O trabalho será realizado por meio da criação de um projeto de extensão na universidade, focado exclusivamente no arquivo danificado. A parceria entre a UFPel e a prefeitura está prevista para durar três anos.
Os historiadores estimam que o período será necessário somente para seleção e recuperação dos documentos. Será preciso um tempo ainda mais extenso para catalogar o acervo. “Nesse momento, não dá para fazer um trabalho mais efetivo para higienizar e catalogar”, diz o professor.
Registros históricos
Os documentos verificados até o momento são, na maioria, de a partir da década de 1970, mas também foram encontrados alguns dos anos 1950 e 1960, e um livro ponto de professoras, dos anos 1940, com todas as informações funcionais delas, inclusive os salários.

No galpão, as quatro mil caixas estão em meio a água parada, mofo e insetos mortos. (Foto: Jô Folha)
Além disso, ainda há arquivos na área do prédio interditada devido ao tombamento do telhado, onde a entrada é proibida. “Vamos catar o que está no chão e ver o que dá para salvar, esse é o trabalho que temos que fazer”.
Novo armazenamento
A Secretaria de Administração e Recursos Humanos (Sarh) irá procurar um novo local para receber o que for recuperado do arquivo e, em parceria com a Secretaria de Cultura (Secult), buscar recursos para reformar o prédio do DVO. “O nosso compromisso é de resgatar e preservar o que é patrimônio do povo de Pelotas. É um trabalho muito meticuloso e insalubre”, diz a secretária Carla Cassais sobre as condições do arquivo