Há cinco dias à frente da Secretaria de Segurança de Pelotas, o major da Brigada Militar Márcio dos Santos Medeiros, 38, tem como meta de gestão manter a queda nos indicadores da criminalidade, apostar em tecnologia para a segurança da cidade e valorizar os servidores da Guarda Municipal. Ao lado do comandante Yuri Lisboa, que foi reconduzido ao posto, eles falam sobre os projetos de gestão, valorização do efetivo e a manutenção das ações integradas.
Quais os desafios diante da Secretaria de Segurança?
O maior desafio é manter os indicadores baixos. Além disso, manter a integração entre os órgãos. Eu acho que esses dois pilares são fundamentais, ampliar o enfrentamento à violência contra a mulher.
Pelotas teve um aumento de 30% nos homicídios em 2024 e um aumento de lesão corporal contra a mulher no início de 2025. Como é possível mudar esse cenário?
Cada homicídio que acontece, tem uma reunião de todos os órgãos de segurança. Faz-se uma análise da inteligência, busca-se a motivação, se há envolvimento com organização criminosa na tentativa de buscar o autor e a sua prisão. Para dar uma resposta imediata ao enfrentamento desse homicídio, pois é o que mais preocupa a população e traz um aspecto negativo. Em relação ao enfrentamento à violência contra a mulher, Pelotas tem uma rede bem forte, o que aumenta a segurança da vítima em denunciar reduzindo assim as subnotificações. Então é manter o enfrentamento. Eu vejo isso como um aspecto que Pelotas tem de positivo.
O governo anterior tinha como meta fazer o Cercamento Eletrônico para combater o crime. O que está em funcionamento?
Temos três OCRs (Optical character recognition– reconhecimento de caracteres ópticos) em toda cidade. É a câmara que capta a placa do carro e indica se está em situação de roubo. Há um trabalho feito pela secretária anterior, a Cíntia Aires, para essa implementação de mais câmeras de localização. Tem um monitoramento realizado aqui que é espelhado para a Brigada Militar e visa não só para auxiliar na aplicação de multas, mas também na prevenção de roubo. Agentes monitoram 24 horas essas imagens e nos possibilitam saber onde é preciso dar mais atenção. Nossa ideia é ampliar esse monitoramento.O senhor pretende usar sua experiência como major no 4º BPM na sua gestão?
Eu fui cedido, então eu agradeço muito ao comandante da BM e me sinto muito honrado pelo convite feito pelo senhor prefeito [Fernando Marroni, PT]. A Brigada Militar é uma instituição com quase 200 anos. Então tem expertise e passou por um processo de maturação. Vamos procurar trazer, ao menos, nos primeiros dias, muitas das boas práticas que a BM tem, seja na gestão micro e na macro.
Qual a importância de manter as ações integradas?
Eu respondia pelo P3 (Pelotão da BM) e pelo comando do serviço de inteligência do Batalhão. Então a união de esforços, o compartilhamento das informações entre todos, cada uma força é importante esse fluxo para enfrentar problemas na segurança pública. Existem informações sensíveis, mas até nesse sentido os órgãos de segurança trabalham em harmonia. Essa troca de informações desburocratiza o processo e agiliza o enfrentamento da criminalidade.
Como o senhor avalia hoje a composição da Guarda Municipal?Acho que há caminho para evoluir. Algumas coisas não dependem exclusivamente da gente, mas buscamos melhorar as condições de trabalho dos guardas e a prefeitura tem nos ajudado bastante. Queremos melhorar a condição social do próprio GM, com reconhecimento do esforço diário deles e com isso tenham uma remuneração melhor e um padrão de vida compatível com o risco. Vamos levar para o governo uma proposta de valorização do risco de vida, funções gratificadas, horas extras e, principalmente, tentar mudar a legislação que os colocam como agentes de segurança pública e não a de serviços gerais.