Consumidores da Cohabpel, em sua maioria idosos que vivem com salário mínimo, estão sentindo os reflexos de não ter um supermercado na região. Desde o fechamento do então Cinquentão, depois Nacional e, por fim, Carrefour, em julho do ano passado, a alternativa mais próxima fica a 1,4 quilômetro de distância. Além disso, para quem precisa carregar sacolas com grandes volumes de compras, o deslocamento torna-se inviável. A abertura do supermercado Nicolini, rede que adquiriu as duas lojas do Carrefour, ainda não tem data definida.
Enquanto isso, a compra de produtos essenciais para o café da manhã, como pão francês, manteiga e leite, acaba custando mais quando adquiridos em estabelecimentos especializados, como padarias. O mesmo ocorre com hortifrúti e carnes, itens que até são encontrados com facilidade na região, mas raramente entram em promoção. A situação é semelhante para quem costumava fazer compras no Nacional da Avenida Bento Gonçalves, embora naquela área existam outros supermercados nas proximidades.
Moradora da Cohabpel, a aposentada Marina Sonia dos Santos Vilela, 74 anos, afirma que a falta de um supermercado no bairro tem pesado no orçamento e na rotina dos moradores. Segundo ela, muitas vezes é preciso comprar onde há disponibilidade, mesmo pagando mais caro. Quando precisa fazer compras maiores para abastecer a casa, Marina aproveita as visitas à filha, que mora no bairro Fragata, para ir ao macroatacado na Avenida Duque de Caxias.
Quem também sente o impacto é Maria Luísa Pereira da Rosa, que trabalha há anos na região. Ela conta que, sem um mercado próximo, precisa se deslocar até outros bairros para fazer compras. “Nas fruteiras e nos açougues até tem produtos, mas o preço acaba sendo mais alto. Faz muita falta um supermercado por aqui”, relata. Depois do Guanabara, os outros dois mais próximos são o Paraíso, na rua Marechal Deodoro (1,8 quilômetro) e o próprio Nicolini da avenida Fernando Osório, a 2,2 quilômetros de distância.
Noeli Ramos Mello, 62, diz que precisou mudar a rotina de compras. Segundo ela, todos os fins de semana são necessários ir até o Guanabara, que fica a 1,4 quilômetro, para comprar o que será consumido durante a semana. “Aqui até encontramos alguns produtos, mas é mais caro. Ter um supermercado perto faria muita diferença para todos nós”, afirma.
Trâmites
O Grupo Osmar Nicolini, de Bagé, completou 12 anos de atividades em Pelotas através das unidades nos bairros Fragata e Três Vendas. No ano passado, em uma operação de expansão pelo Estado, adquiriu 11 unidades da Rede Nacional, sendo duas delas em Pelotas. No entanto, os empreendimentos previstos para a Cohabpel e para a Avenida Bento Gonçalves ainda não têm data definida para iniciar as operações. De acordo com o diretor de relacionamentos do Grupo, Selmo Dias, Carrefour e Josapar ainda estão nos acertos das rescisões das locações dos imóveis de Pelotas e que somente após essa etapa será possível dar prosseguimento ao processo de operação das duas unidades.
