Caixa de comentários de rede social raramente é algo que deve se levar em consideração. Ali, infelizmente, muitas pessoas aproveitam para descarregar todas suas frustrações, destilar ódio e plantar maldades de forma muitas vezes gratuitas. Mas elas também são, de certa forma, termômetro. Na última terça-feira, por exemplo, Pelotas teve uma das melhores notícias de sua história recente: será base de operações da Petrobras durante a exploração da Bacia de Pelotas. Não tem como ser contra, mas ainda assim, há quem tenha deixado opiniões negativas ou debochadas sobre o tema.
O desenvolvimento da Bacia de Pelotas não é questão de política, nem de opinião. É ciência. Ou há, ou não há petróleo. O nome talvez confunda os desavisados que reduzem sua visão apenas para o município, mas compreende toda uma área litorânea do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O nome é dado pelo rio que divide os dois estados, não pela Princesa do Sul, que tornou-se uma das referências para o processo justamente por ser a maior cidade próxima ao litoral, com capacidade de oferecer suporte logístico, técnico e tecnológico para isso, junto com Rio Grande.
Estar na rota do petróleo vai muito além dos royalties. A cidade embarca no trem de tantas outras coisas que vêm agregadas para a prestação destes serviços. Atrai empresas, atrai infraestrutura e gera empregos, melhora a imagem e estimula tantas coisas. Por isso, ver reação negativa de pelotenses à mera ideia de que talvez no futuro aqui seja um grande polo econômico a partir deste serviço é absurdo. São reações que exalam um viralatismo completamente desnecessário. Quem, em sã consciência, não quer que a cidade onde mora dê um salto de arrecadação que pode impactar a qualidade de vida?
As crenças de que “aqui sempre foi assim”, “no passado era melhor” e “prometem mas nunca acontece” e “aqui é muito ruim, nada dá certo” estão entre os motivos que nos travaram econômica e socialmente nas últimas décadas. Olhar para o futuro com esperança e com faro de oportunidades é o mínimo. Quem for contra ou não entender, ficará para trás quando as coisas acontecerem. Pelotas e a Zona Sul precisam acelerar para o futuro e cortar as âncoras que nos puxam para baixo.
