PT nacional pressiona gaúchos por aliança com PDT

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

PT nacional pressiona gaúchos por aliança com PDT

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Em novo capítulo da novela, o Grupo de Trabalho Eleitoral do PT definiu que a estratégia do partido no Rio Grande do Sul deve passar por uma aliança com o PDT, sob liderança de Juliana Brizola. No mesmo texto, o grupo aponta Edegar Pretto, então pré-candidato, como a liderança com maior legitimidade para conduzir essa construção. A reação de Pretto, porém, mostra que a decisão está longe de pacificar o partido no Estado.

A principal resistência do PT gaúcho passa pela ligação do PDT com o governo Eduardo Leite. Até a semana passada, Eduardo Loureiro, no Turismo, e Gilmar Sossella, em Trabalho e Desenvolvimento Profissional, eram secretários do governo. Os dois saíram para concorrer a deputado, Juliana indicou que os cargos estão à disposição, mas ainda não está claro se o PDT deixará de vez a base de Leite. Isso produz desconforto no PT e também em setores da esquerda, porque a candidatura ao Piratini não se coloca apenas contra Zucco e o PL, mas também como oposição ao atual governo e ao nome da sua sucessão, Gabriel Souza (MDB).

Ao mesmo tempo, a direção nacional do PT se apoia em um argumento eleitoral. O partido vem acumulando derrotas no RS. Tarso Genro perdeu para Sartori em 2014. Depois, Miguel Rossetto e Edegar Pretto sequer chegaram ao segundo turno nas eleições vencidas por Eduardo Leite. No plano nacional, Bolsonaro venceu Haddad em 2018 e Lula em 2022 no Estado. Por isso, para parte do PT nacional, a composição com o PDT aparece como tentativa de ampliar competitividade.

Foi nesse contexto que a direção nacional endureceu. A resolução afirma que “não há nada mais importante que a reeleição do presidente Lula”, reafirma a necessidade de aliança com o PDT e define que a tática eleitoral conjunta no Estado deve ocorrer sob a liderança de Juliana Brizola. Na prática, isso esvazia a pré-candidatura de Edegar, aprovada internamente no PT gaúcho. Pretto reagiu dizendo que pediu a convocação do Diretório Estadual para tratar do tema com a instância que o colocou na condição de pré-candidato. Também afirmou que sua candidatura não é um movimento pessoal e que já representa uma frente política mais ampla. Ao citar Raul Pont, Tarso Genro e Olívio Dutra, reforçou o recado político: “democracia é construção, não imposição”.

Se a decisão nacional, que é lida automaticamente como uma decisão de Lula, prevalecer, será difícil ver Pretto como um vice de Juliana Brizola. Seu provável destino seria uma candidatura ao Congresso Nacional. Entretanto, o nome de Pepe Vargas, deputado estadual e ex-prefeito de Caxias do Sul, é visto como um nome forte para a composição.

Otimista quanto ao desfecho do impasse ser favorável para uma frente ampla da esquerda no Estado, o coordenador regional do PDT, Douglas Rafael, indicou na Rádio Pelotense que a decisão será divulgada em breve — quem sabe ainda nesta semana.

Já o PT, em nota, indica que tomará a decisão final no dia 23.

Auxiliares em debate

O projeto que autoriza a contratação temporária de 300 auxiliares de inclusão na rede municipal de Pelotas tramita na Câmara desde 11 de março e avançou nas comissões após receber pareceres favoráveis. A proposta do Executivo, que prevê contratos temporários, passou pela CCJ, com parecer favorável de Arthur Hallal (PP), e pela COF, com parecer de Tauã Ney (PSDB). Em paralelo, a emenda que altera o prazo dos contratos também avançou, com pareceres favoráveis de Rafael Barriga (UB) e Paulo Coitinho (Cidadania).

A emenda, apresentada por Marcelo Bagé (PL), reduz o prazo das contratações para cerca de cinco meses, com possibilidade de prorrogação, e vincula a medida à realização de concurso público. Bagé sustenta que a prefeitura precisa evitar a dependência de contratações emergenciais e encaminhar uma solução definitiva para a área. No debate, a vereadora Fernanda Miranda (PSOL) afirmou que também defende a realização de concurso, mas apontou limite prático no prazo proposto. Segundo ela, cinco meses não seriam suficientes para cumprir as etapas de contratação e preparação dos profissionais, que exigem formação específica para atuação na inclusão em sala de aula, nem para a organização de um concurso público. Com a tramitação nas comissões concluída e a definição do prazo reduzido com exigência de concurso, o projeto deve avançar para votação em plenário nos próximos dias.

Novos secretários

O governador Eduardo Leite (PSD) anunciou a primeira etapa de uma reforma no secretariado. A principal mudança é a saída de Artur Lemos da Casa Civil para assumir a nova Secretaria Extraordinária Geral de Governo, criada a partir da reconfiguração da atual Seidape, que será extinta. Para o lugar dele na Casa Civil, Leite convidou o ex-governador Ranolfo Vieira Júnior, com a tarefa de reforçar a coordenação política e institucional do Executivo.

Também houve trocas em série em outras pastas, quase todas com solução interna. A pelotense Lisiane Lemos deixa a Seidape e assume a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia. Na Desenvolvimento Social, Gustavo Segabinazzi Saldanha, que era adjunto, vira titular. O mesmo ocorre com Clóvis Garcez Magalhães, em Logística e Transportes, e com César Atílio Kurtz Rossato, em Sistemas Penal e Socioeducativo. Na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Leandro Evaldt é efetivado como titular após já estar no comando de forma interina. Segundo o governo, novas definições devem ser anunciadas nos próximos dias.

No plano político, a mexida tem como motivo o calendário eleitoral. Afinal, uma série de secretários precisaram deixar os cargos para disputar a eleição de outubro, dentro da regra de desincompatibilização. Ou seja, além do discurso de reorganização da gestão, a reforma também serve para recompor a máquina depois da saída de nomes que vão entrar no jogo eleitoral.

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