Possibilidade de El Niño irá impactar produção na região

No segundo semestre

Possibilidade de El Niño irá impactar produção na região

Aumento nas chuvas exigirá reorganização e planejamento dos produtores rurais

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Possibilidade de El Niño irá impactar produção na região
(Foto: Maurício Tonetto)

Depois de um final de ano com impactos do La Niña e da observação de seu enfraquecimento no primeiro trimestre de 2026, os meteorologistas acompanham as projeções do cenário de transição. Com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, a tendência é que seja registrada a ocorrência de El Niño a partir do segundo semestre deste ano. O fenômeno causa mudanças climáticas que impactarão diretamente a produção agropecuária da Zona Sul e o dia a dia da população.

Segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), ligada ao governo dos Estados Unidos, que realiza o monitoramento constante dos fenômenos em todo o globo, o El Niño ocorre a cada dois a sete anos. Durante meses ou até dois anos, ele altera padrões de chuva e temperatura mundialmente, trazendo secas ao Norte/Nordeste e chuvas intensas ao Sul do Brasil.

O Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex) da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), emitiu uma nota técnica sobre a possibilidade de registro de El Niño e seu impacto na Zona Sul. O documento aponta que, para junho–agosto de 2026, a probabilidade de El Niño aumenta para 62%, com persistência projetada ao longo da segunda metade de 2026. A transição sinaliza, no Rio Grande do Sul, uma alteração significativa no regime pluviométrico, com tendência de aumento na frequência e no volume das chuvas no segundo semestre deste ano.

Apesar da condição prevista, o meteorologista da Ciex, Ricardo Gotuzzo reforça que não é momento de alarme, mas de usar a informação para a preparação frente aos diferentes cenários que o segundo semestre pode apresentar.

Impactos

A Zona Sul tem grande parte da sua economia atrelada à produção agrícola e agropecuária. Por conta disso, há uma preocupação maior de produtores e entidades do setor com as mudanças climáticas e os impactos que poderão ser sentidos nas culturas da região. De acordo com o extensionista rural e assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Evair Ehlert, a probabilidade de ocorrência de El Niño causa impactos diretos na tomada de decisão dos produtores rurais, se irão implantar os cultivos de grãos de inverno como trigo, canola e aveia e azevém para grãos. “Já estamos prevendo uma redução drástica nas áreas cultivadas dos grãos de inverno. Somado a este risco climático bastante sério, impactará enormemente o preço do óleo diesel e os valores dos adubos, aumentando os custos de produção”, projeta.

Teremos novas cheias?

Após o período de enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024, todos os prognósticos dos órgãos de monitoramento e segurança tem como norte o que aconteceu naquele período. No entanto, de acordo com a nota técnica do Ciex, a sinalização de um El Niño indica um cenário de risco aumentado para chuvas, mas não funciona como uma previsão de eventos extremos em locais específicos com meses de antecedência. A previsibilidade para avisos de chuva volumosa e riscos hidrológicos reais possui um horizonte confiável de geralmente até sete dias.

Gotuzzo reforça que é importante que, a partir da experiência acumulada de outros episódios, que todos estejam preparados, mas é cedo para qualquer alarmismo ou preocupação maior. O meteorologista indica que a comunidade se mantenha informada pelas instituições oficiais, como o próprio centro, que realiza um trabalho de monitoramento constante.

Sobre o impacto esperado do fenômeno na Zona Sul, para além da agricultura e pecuária, Gotuzzo também cita o alerta para a manutenção preventiva dos sistemas de drenagem dos centros urbanos e a potencial sobrecarga no escoamento da água das chuvas. “O impacto principal é a necessidade de maior resiliência. O El Niño ‘prepara o terreno’ para a instabilidade, cabe a nós, baseados nos dados técnicos, ajustar o planejamento urbano, rural e de defesa civil”, afirma.

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