Há 100 anos
A imprensa pelotense foi convidada para vistoriar as obras do Grande Hotel. Na época, os jornalistas puderam entrar no edifício, considerado o primeiro “arranha céu” de Pelotas.
“Atingimos o interior da construção subindo as escadas de cimento armado que dão acesso ao bem proporcionado vestíbulo que, por sua vez, precede o importante ‘hall’ central”, descreveu um dos visitantes. A visita foi acompanhada pelo arquiteto e construtor Theophilo de Barros.
Em abril de 1926, mais da metade da obra estava pronta e o prédio apresentava os três pisos, descreveu Barros, naquele momento. A imprensa destacou o pé direito de três metros e que ainda seriam construídos mais dois pavimentos e a mansarda.
A espessura das paredes também foi destacada, bem como a comparação do arquiteto: “pense o senhor em cinco casas construídas numa média de cem mil tijolos cada uma”.
Dominando a cidade

Maquete do Grande Hotel era exibida nas páginas dos jornais (Foto: Reprodução)
Barros ainda falou: “Penso em levantar a cumieira dentro de dois meses. Até esta cumieira o Hotel terá a altura de 24 metros e a de 30 metros até a chave da cúpula da grande torre, que dominará a cidade”.
Durante a visita também foi verificado que as molduras e tímpanos das fachadas e detalhes ornamentais estavam delineados e moldados no próprio tijolo. “O que nos chamou atenção visto não ser aqui este o critério habitual nas construções”, registrou o jornalista.
O cálculo do arquiteto era de 12 metros cúbicos por dia de obra executada em alvenaria. O trabalho era feito, em média, por 60 operários. Também foi confirmado que foram tiradas seis mil carroças de aterro, durante o serviço de terraplenagem, transporte este com o apoio da prefeitura, ainda mais de dez mil barricas de cimento Portland alemão tinham sido empregados até aquele momento.
Para saber
O Grande Hotel foi inaugurado em 1928. A proposta inicial de um hotel moderno para a cidade é atribuída, ao então intendente, Pedro Luis Osório (1920-1924), em 1922. Com esta finalidade, foi organizada a Cia. Incorporadora Grande Hotel.
Em 1924 foi lançado um concurso público para a escolha do projeto a ser edificado e quem venceu foi Theófilo de Barros. As obras estavam em andamento, em 1925.
Fonte: Acervo da Bibliotheca Pública Pelotense
Há 50 anos
Juca Chaves apresenta o espetáculo O pequeno notável no Theatro Guarany

(Foto: Reprodução)

Apresentação foi marcada pela irreverência do artista (Foto: Reprodução)
O pequeno notável era o título do novo show de Juca Chaves. O artista apresentou o espetáculo no Theatro Guarany. Irreverente, o humorista e músico brincou dizendo que seus espetáculos não tinham meia entrada para os jovens porque ele era altruísta. “Quero que o nosso jovem se sinta adulto e importante”, falou à imprensa local, um dia antes do evento.
Chaves falou da carreira bem-sucedida e comentou que naquele ano não estava mais trabalhando aos finais de semana. O músico disse que não queria ficar mais rico e sim mais feliz, dessa forma ele queria morrer. Juca explicou ser este o porquê da limitação autoimposta quando o assunto era o trabalho.
“Agora, em Pelotas, estou trabalhando no início da semana, via de consequência, não trabalharei, no fim”, debochou. O show do artista ocorreu no dia 6 de abril de 1976, uma terça-feira. Chaves classificou o humor como uma necessidade fisiológica, sem o qual o homem não vivia. O músico não exitou em afirmar que ele é mais importante que o próprio amor: “Havendo humor, há amor, pois o humor é manifestação maior da inteligência”, falou.
Sem se preocupar
Juca Chaves afirmava que não é a arte que deveria chegar ao público, mas ao contrário, embora seu tipo de humor (propositadamente ou não) encontrasse na elite cultural um público mais fiel, na década de 70. Apesar disso, o músico e humorista percebia que seu trabalho estava alcançado não só os mais jovens e intelectualizados, mas também aos mais velhos e outras camadas da sociedade: “já conseguem rir daquilo que antes lhes parecia tabu”.
Fonte: Acervo da BPP