Primeiro mês sem pedágio expõe desafios nas rodovias do Polo Pelotas

rodovias

Primeiro mês sem pedágio expõe desafios nas rodovias do Polo Pelotas

Acidentes, disputa sobre resgates e problemas de manutenção marcam período

Por

Primeiro mês sem pedágio expõe desafios nas rodovias do Polo Pelotas
Concessão encerrou no mês de março e, desde então, gestão está dividida entre Dnit, PRF e municípios (Foto: Jô Folha)

Um mês após o fim da concessão para a Ecovias Sul, os trechos das BRs 392 e 116 pertencentes ao antigo Polo Rodoviário de Pelotas seguem passando por desafios: agora, estão relacionados ao atendimento de acidentes, à manutenção da infraestrutura e à definição de responsabilidades entre os órgãos públicos.

Desde 4 de março, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) passou a administrar os 459,6 quilômetros das estradas que integravam a concessão. Diferentemente da concessionária, porém, o órgão federal não oferece serviços de socorro médico ou mecânico aos usuários da rodovia.

Com a mudança, o atendimento a acidentes passou a ser feito principalmente pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), dentro de um plano de contingência elaborado pela Secretaria Estadual da Saúde.

Antes do fim da concessão, o diretor do Departamento de Regulação da pasta, Rogério Schneider, disse que as ocorrências seriam coordenadas pela Central de Regulação do Estado, que aciona as equipes mais próximas do local do acidente. “A partir daí são acionados todos os entes que fazem parte daquela região para prestar o atendimento”, explicou na época de implantação do plano.

Acidentes no período

Ao longo deste primeiro mês, diferentes acidentes foram registrados nas rodovias do trecho. No dia 6 de março, uma ciclista de 48 anos morreu após ser atropelada por um carro no km 18 da BR-392, em Rio Grande, no sentido Pelotas. A vítima chegou a ser socorrida pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos durante o transporte.

Trechos apresentam ausência de defensas metálicas (Foto: Divulgação)

Duas semanas depois, em 20 de março, um motociclista morreu após colidir com um caminhão no km 171 da BR-392, na localidade de Cansa Cavalo, área de divisa entre Canguçu, Piratini e Santana da Boa Vista. Ele chegou a ser socorrido e transferido para atendimento hospitalar em Rio Grande, mas morreu no hospital.

Outro caso fatal ocorreu mais recentemente, no último domingo (29), quando um pedestre morreu após ser atropelado na BR-116, no km 565, em Pedro Osório.

Além de acidentes com morte, também foram registrados outros casos que mobilizaram equipes de resgate. No primeiro dia sem concessão, um caminhão tombou nas proximidades do trevo de acesso a Santana da Boa Vista, deixando o motorista preso nas ferragens até a chegada do Corpo de Bombeiros vindo de Caçapava do Sul.

Já no dia 21 de março, uma colisão entre dois veículos no km 102 da BR-392, entre Canguçu e Pelotas, deixou duas pessoas feridas e exigiu a atuação de equipes dos bombeiros dos dois municípios, além de ambulâncias. O acidente ocorreu em uma área de divisa e, neste caso, mobilizou equipes de cidades diferentes. Outras ocorrências não foram detalhadas pela PRF.

Problemas de manutenção

Problemas de infraestrutura ao longo do trecho também chamam atenção. Em alguns pontos da BR-392, no sentido Santana da Boa Vista, foram identificados furtos de defensas metálicas – estruturas instaladas às margens das vias para reduzir o impacto de veículos em caso de saída de pista. Além do trecho próximo ao km 101, ao menos quatro ocorrências desse tipo foram observadas ao longo da BR-392.

Questionada pela reportagem, no entanto, a Polícia Rodoviária Federal informou que nenhuma ocorrência de furto de defensas metálicas chegou oficialmente ao conhecimento da corporação.

Outro ponto que chamou a atenção foi identificado no km 112 da BR-392, nas proximidades do antigo pedágio da Glória, em Canguçu. Em um acesso pavimentado à rodovia, moradores realizaram por conta própria um reparo em concreto sobre um bueiro usado para a passagem de água da chuva.

A reportagem encaminhou questionamentos ao Dnit sobre a manutenção do trecho, a reposição de defensas metálicas e o caso do reparo realizado por moradores, mas até o fechamento desta edição não havia recebido retorno.

Disputa sobre atendimento

A ausência de serviços como ambulâncias, guinchos e inspeção de tráfego realizado pela antiga concessionária também gerou reação dos municípios da região.

Moradores fizeram um reparo em concreto por conta própria (Foto: Divulgação)

A Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) notificou administrativamente o DNIT solicitando providências para garantir esses atendimentos nas rodovias federais. O órgão federal respondeu que não possui atribuição legal para prestar esse tipo de serviço e disse que sua responsabilidade se limita à contratação de empresas para manutenção das vias.

Municípios cobram solução judicial

Diante da resposta, a entidade prepara uma ação judicial para tentar obrigar a União a assumir o atendimento. Segundo o presidente da Azonasul e prefeito de Santa Vitória do Palmar, André Selayaran (MDB), a medida busca garantir segurança aos motoristas. “Diante da negativa [do Dnit], agora estamos priorizando a ação judicial para ver se conseguimos garantir uma liminar que obrigue a União a prestar esse serviço”, afirma.

Fiscalização reforçada

Enquanto isso, a Polícia Rodoviária Federal prepara reforço na fiscalização durante o feriado prolongado de Semana Santa e Páscoa.
A Operação Semana Santa 2026 começou nesta quinta-feira (2) e segue até domingo (5), com intensificação de ações para coibir excesso de velocidade, embriaguez ao volante, ultrapassagens proibidas e outras infrações de risco nas rodovias federais.

A PRF também orienta que motoristas planejem as viagens, revisem as condições do veículo e respeitem as regras de trânsito para reduzir o risco de acidentes durante o período de maior movimento nas estradas.

Acompanhe
nossas
redes sociais