A vida inteira, achei faltar alguma coisa em mim e procurei isso por muito tempo.
Mas, sempre que eu tentava algo, dava errado.
Com o tempo, passei a me sentir presa demais ou solta demais.
No fundo, só procurava ser algo.
Sempre tive essa tara por viver, sabe?
Essa loucura por querer alcançar as coisas cada vez mais e essa vontade que tenho de conquistar o mundo, mesmo sabendo que ele não cabe em minhas mãos.
Porém, acho que isso não significa que não tenho capacidade suficiente para alcançar o mundo inteiro.
Não preciso tê-lo em minhas mãos; posso tê-lo sendo livre.
E essa liberdade que almejo para ele é a mesma que almejo para mim.
Pois tudo o que digo e faço é um reflexo do que habita dentro do meu peito, dentro do meu corpo e dentro da minha alma.
Então, agora entendo que não preciso de algo para me completar, nem de alguém.
Acho que não sou a metade da laranja de ninguém, porque nasci inteira.
Quero ser livre e quero que as pessoas me entendam e vivam comigo.
Que não me prendam, mas que me ofereçam um lugar para ficar, para eu poder descansar e ficar leve, para depois retornar.
Para que a felicidade venha sem o medo de ser feliz por conta de alguém.
Não quero ter que cumprir limites, mas não quero ser completamente solta.
Quero que a pessoa me ofereça um lar para ficar e que eu goste tanto que voar sem ela perca a graça.