A característica rural de Canguçu oferece desafios diários para a administração da educação do município. Reconhecida como a Capital Nacional da Agricultura Familiar, a cidade de cerca de 49 mil habitantes conta com 60% dos moradores na zona rural.
Em entrevista ao programa Debate Regional, da Rádio Pelotense, a Secretária de Educação de Canguçu, Ana Dias Oliveira, destacou a particularidade do município, um dos maiores em extensão territorial da zona rural do Estado.
Diariamente, 7.172 quilômetros de chão são percorridos pelo transporte estudantil em 142 linhas que distribuem os cerca de 2,4 mil alunos pelas 25 escolas da zona rural. “É um desafio enorme quanto ao gerenciamento do transporte escolar. Ano passado tivemos 116 linhas só na rede municipal, fora a estadual,” conta Ana.
Além desses, 26 linhas são realizadas com transporte próprio da prefeitura, que teve o incremento de três novos veículos no último ano.
Assumindo a vocação rural, a gestão trabalha para evitar o êxodo do campo pelos jovens. Para incentivar a permanência e a sucessão familiar, nove escolas das 12 que funcionam em tempo integral têm foco totalmente voltado à educação agrícola.
O investimento no corpo docente também é uma preocupação do município. As aulas tiveram início no dia 25 de fevereiro, mas já no dia 23, os mais de 700 profissionais foram recepcionados para o alinhamento do ano letivo.
A valorização ganhou outro capítulo, com a aprovação da Câmara de Vereadores, no dia 18 de fevereiro, do projeto de lei (PL) que institui o feriado de Dia do Professor no âmbito escolar, em 15 de outubro. Segundo Ana, o prefeito deverá sancionar o PL naturalmente. “Se o professor estiver bem o aluno vai estar bem”, diz.
A manutenção das estradas rurais é outro assunto que merece atenção dos administradores. Através da Secretaria de Infraestrutura Rural, foi realizado investimento em recuperação de estradas, pontilhões e bueiros. “Nos trouxe a garantia de rodar todos os anos letivos.”
Para o futuro, a projeção, diante da queda de matrículas, é do fechamento de escolas do interior. Para evitar esse cenário, a secretaria age com busca ativa e controle de matrículas. “Algumas escolas são próximas e com poucos alunos. Um dos maiores desafios da gestão é colocar profissionais em todas elas”, finaliza.