O aumento de banhistas nos balneários marítimos da região faz com que o número de lesões causadas por águas-vivas também salte nos períodos mais quentes da estação. No último final de semana, que teve o incremento do feriado de Iemanjá, foram mais de 670 queimaduras causadas por estes animais no Balneário Cassino, em Rio Grande.
Além disso, há uma espécie de cnidário que preocupa os veranistas: as caravelas-portuguesas. Conhecidas por suas lesões, que causam linhas vermelhas pelo corpo bem características, e por serem tóxicas, o maior registro de aparição de caravelas na orla da praia do Cassino ocorreu nestes últimos dias. Ainda assim, segundo especialistas, não caracteriza uma infestação.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cassino registrou cerca de 10 internações por conta da evolução em casos de queimaduras causadas por caravelas-portuguesas. Os animais puderam ser vistos encalhados na orla da praia principalmente nas proximidades dos Molhes da Barra. Segundo o Comandante da Companhia de Guarda Vidas do Litoral Sul, Capitão Castro, os registros ocorreram, sobretudo, na segunda-feira. Os guarda-vidas realizaram os atendimentos iniciais aos veranistas que foram queimados e, conforme a gravidade dos casos, fizeram o encaminhamento para atendimento médico.
Fenômeno natural
O biólogo e professor do Instituto de Oceanografia da Furg, Renato Mitsuo Nagata, explica que o aparecimento da espécie se deu pela entrada de uma frente fria com ventos sudoeste e esta ondulação trouxe os animais para a praia. “São animais de mar aberto, e quando se tem condições de vento que empurram a água do mar em direção à praia, esses são uns dos animais trazidos, sendo os mais perigosos”, destaca.
Nagata reforça que a aparição é um fenômeno natural e que ocorre ao longo de toda a costa brasileira. Apesar do grande número de registros ao longo do final de semana, o professor afirma não tratar-se, a princípio, de uma situação de infestação. “Nós sabemos que as caravelas aparecem, principalmente, no início do verão, geralmente em dezembro, então, neste ano, o fenômeno está um pouco atrasado e em uma quantidade menor”, analisa o professor.
Preocupação
Por sua aparência diferente, a aparição dos animais chamam a atenção dos veranistas e é comum que muitos se aproximem das caravelas encalhadas para registrar. O biólogo pede atenção para que não aproximem-se, principalmente, dos tentáculos por conta da toxicidade presente neles. “Quando os banhistas avistarem muitos desses animais na orla da praia, é sinal de que eles também estão em grande quantidade dentro da água, e é preciso evitar estas áreas”, reforça.
Riscos
A caravela-portuguesa (Physalia physalis) não é considerada uma água-viva, mas é um cnidário. Possui um flutuador roxo-azulado com formato de bexiga e tentáculos muito longos. É mais comum no nordeste e sudeste do Brasil, porém há grandes encalhes no verão, em praias do Rio Grande do Sul. Suas lesões causam linhas vermelhas bem características.
O veneno da caravela é altamente tóxico, semelhante ao da aranha-viúva-negra. A gravidade depende da área de pele atingida.
A queimadura causa dor imediata e muito intensa, ardor, inchaço e vermelhidão na pele, podendo evoluir para bolhas e, em casos severos, necrose (morte do tecido) e cicatrizes permanentes. O contato com os tentáculos pode provocar reações sistêmicas graves, como náuseas, vômitos, espasmos musculares, febre, falta de ar, choque anafilático e levar à morte.
