Com cerca de 20 mil estudantes retomando as atividades nesta terça-feira, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) inicia 2026 ainda fora do calendário acadêmico regular. A normalização dos semestres está prevista apenas para o segundo semestre do ano, em um contexto que envolve reorganização pós-pandemia, limitações orçamentárias e mudanças no perfil dos estudantes.
O semestre 2025/2 está em sua etapa final e se encerra em março. No dia 23 tem início o semestre 2026/1, ainda com duração reduzida, que termina em 25 de julho. A normalização do calendário acadêmico está prevista apenas para o segundo semestre do ano, com o início do semestre 2026/2 em 12 de agosto, desde que não haja intercorrências.
O vice-reitor da UFPel, Eraldo Pinheiro, explica que a universidade passa por um processo gradual de reorganização, impactado pelos efeitos da pandemia da Covid-19 e das enchentes de 2024. Segundo ele, a transição é necessária para que, ao longo de 2026, a instituição retome a previsibilidade do calendário acadêmico.
Orçamento
Pinheiro avalia que o cenário para 2026 é positivo, apesar dos cortes previstos para universidades e institutos federais. Ele destaca a reorganização realizada em 2025. “Fizemos alguns ajustes com o mínimo de impacto possível para nossos estudantes e servidores para, a partir disso, termos um 2026 um pouco melhor do que 2025”, afirma.
Uma das principais dificuldades, segundo o vice-reitor, é que parte significativa dos recursos chega por meio de emendas parlamentares e editais públicos ou privados, que não podem ser utilizados para despesas básicas, como energia elétrica, serviços terceirizados e manutenção predial. Esses custos dependem quase exclusivamente do orçamento federal regular.
Ainda assim, a UFPel tem ampliado sua capacidade de captação. Um exemplo é a obtenção de R$ 28 milhões junto à Finep, em 2025, destinados ao Centro de Inovação e Sistemas Agroalimentares Sustentáveis (CISAS), com execução prevista ao longo de 2026 e impacto direto na cidade e na região.
Evasão universitária
A evasão universitária é apontada como um dos principais desafios. Em um cenário nacional em que a média de desistência chega a 40%, Pinheiro associa o problema às dificuldades de permanência e à mudança no perfil geracional. Entre as estratégias adotadas estão a reorganização dos cursos para funcionamento em um único turno, o incentivo aos cursos noturnos e a ampliação da educação a distância.
Atualmente, a UFPel conta com 85 polos de EAD e também trabalha para ampliar componentes a distância nos cursos presenciais. “Colocar percentuais de EAD dentro dos cursos presenciais também é uma meta, porque isso faz com que o nosso estudante tenha mais tempo disponível”, afirma.
Universidade e comunidade
Questionado sobre a relação da universidade com a comunidade, o vice-reitor reconhece uma crise de imagem, intensificada no pós-pandemia. Segundo ele, além das campanhas contra a ciência, houve falhas históricas na comunicação institucional. “A nossa linguagem era difícil, a forma como a gente se relacionava com a comunidade não era uma forma muito fácil”, afirma.
Como resposta, a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PREC) passou a assumir papel estratégico, com 11 grandes projetos voltados às comunidades da região, como Hortas Urbanas, Barraca da Saúde, Queijo Pampiano, Ruas de Lazer, ações em São José do Norte e programas de próteses dentárias gratuitas.
A gestão destaca a excelência da pesquisa, com programas de pós-graduação nota 7 (máxima) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e o impacto econômico da UFPel em Pelotas e na Zona Sul, com cerca de 20 mil estudantes e investimentos como os R$ 268 milhões no Hospital Escola. A avaliação é de que o fortalecimento da universidade depende do engajamento coletivo.
