Há 100 anos
O Centro Português 1º de Dezembro chega ao seu centenário como uma das mais tradicionais entidades culturais de Pelotas. Fundado em 24 de janeiro de 1926, o clube nasceu da fusão de duas sociedades criadas no século 19: o Grêmio Republicano Português e o Congresso Português 1º de Dezembro, que reuniam imigrantes e descendentes de portugueses no município.
No início do século 20, a comunidade lusa em Pelotas refletia as divisões políticas de Portugal, com republicanos e monarquistas convivendo de forma conflituosa mesmo após a queda da monarquia, em 1910. Após anos de divergências, a união dos grupos só foi possível por meio de votação. Decidida por apenas um voto de diferença, a paz foi selada e deu origem a uma entidade voltada à preservação das tradições e costumes portugueses.
Outras datas
Quatro anos depois da fundação, em 1930, foi inaugurada a sede própria no centro da cidade, um prédio em estilo gótico-manuelino que se tornou símbolo da presença portuguesa. Na década de 1960, o clube expandiu suas atividades com a aquisição de uma área no Laranjal, onde surgiu o bairro Recanto de Portugal, atual sede campestre da entidade. Hoje, o Centro Português mantém viva a memória da imigração por meio de atividades culturais, do museu e do Rancho Folclórico, criado oficialmente em 1986, na mesma data do aniversário do Clube.
Desta forma, a comunidade luso-brasileira em Pelotas, ainda, celebra neste sábado os 40 anos do Rancho Folclórico.
Independência de Portugal
A data que surge no nome da entidade se refere a restauração da independência de Portugal, que ocorreu em 1º de dezembro de 1640, marcando o fim de seis décadas de ocupação espanhola. A revolta culminou com a instauração da 4ª dinastia portuguesa, a Casa de Bragança, com a aclamação de Dom João IV como rei de Portugal e Algarves
Há 80 anos
Obra da artista Magliani foi uma das mais contundentes da sua geração

Maria Lídia nasceu
em Pelotas
Se estivesse viva, Maria Lídia dos Santos Magliani completaria 80 anos neste domingo, 25 de janeiro. Nascida em Pelotas, em 1946, e falecida no Rio de Janeiro, em 2012, Magliani foi uma das artistas mais contundentes de sua geração e figura importante da arte brasileira contemporânea. Pintora, gravurista, ilustradora, cenógrafa e designer gráfica, foi também uma pioneira: uma das primeiras mulheres negras a se formar em Artes pela UFRGS, em 1966.
Sua obra, frequentemente associada ao neo-expressionismo, marcou-se pela representação de corpos femininos intensos, comprimidos, por vezes grotescos, que ocupam o espaço da tela como gesto de afirmação e denúncia. Sem se prender a rótulos ou modismos, Magliani construiu uma produção visceral, atravessada por reflexões sobre o corpo, a condição feminina, o racismo e o contexto político do país, especialmente durante a ditadura militar.
Individual na Pinacoteca
Com mais de cem exposições no currículo, participou da Bienal de São Paulo, onde morou por dez anos, e foi a primeira artista negra a ter uma individual na Pinacoteca do estado paulista. Apesar do reconhecimento, enfrentou invisibilização e dificuldades financeiras no fim da vida. Seu legado permanece vivo em museus, acervos e na memória cultural brasileira, reafirmando a força de uma artista que nunca se rendeu ao previsível.
A mais recente exposição com obras da artista na terra natal aconteceu em 2024. Magliani obra gráfica foi apresentada no Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo da Universidade Federal de Pelotas (Malg/UFPel).
Há 90 anos
Restaurante do Gago completa o primeiro ano
Em janeiro de 1936, o restaurante Gago completava um ano de atendimento ao público. O estabelecimento ficava na rua mais movimentada de Pelotas, considerado o ponto central da cidade naquela época: a rua 15 de Novembro, número 621.
De propriedade de Pedro Branco, o próprio Gabo, o restaurante ganhou a simpatia dos clientes por ser um dos primeiros a trabalhar diariamente. Do cardápio constavam cerca de 15 pratos e entre eles estavam galinhas e leitões, assados que seduziram pela cor dourada que ostentavam, segundo a imprensa.
A casa tinha uma outra característica: aos domingos e feriados os clientes sempre encontravam um “delicioso” vatapá.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense