Animadora é a palavra que melhor pode definir a entrevista de Vitor Magalhães, secretário de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar de Rio Grande no Debate Regional, da Rádio Pelotense, de ontem. A conversa também é repercutida na página 6 desta edição. Em um país em que vemos a política tão contaminada por padrões antigos, comportamento de fazer sempre igual, e principalmente pelo viralatismo de lamber eternamente as mesmas feridas, a resposta do secretário após a “derrota” na corrida por uma fábrica da GWM expõe o modelo mental que vem sendo implementado no município. Ao invés de chorar, pega-se o aprendizado e agrega-se isso na hora de buscar novas oportunidades. Não por nada, ele afirma que mais de 80 empresas têm propostas para virem a Rio Grande, feitas no atual governo, que está em seu 13º mês de gestão.
Para tocar em uma ferida também regional, vamos trazer o debate para Pelotas. Quantas empresas, nos últimos anos, foram formalmente convidadas para virem para a cidade? Quantas vezes você, pelotense, já ouviu alguém lamentando o fim de algumas das empresas conserveiras de um passado onde esse era o setor de glórias? E é de se lamentar mesmo. Foram erros crassos e que travaram nossa cidade. Mas e o futuro? Não é hora de mirarmos ele?
O vocabulário tão empresarial de Magalhães também surpreende dentro do poder público, e aqui fica outra ‘cutucada’ para Pelotas. Enquanto aqui vemos Câmara de Vereadores e prefeitura engalfinhando-se há meses por conta de rusgas políticas, em que momento vamos pensar em uma atualização de modelo de cidade, para um alinhamento geral de instituições que miram o futuro? E, para isso, é preciso chamar o setor empresarial para a mesma mesa. Menos ideologia, mais diálogo e compreensão. Todos querem o mesmo: uma cidade melhor.
As boas notícias de Rio Grande vêm ganhando cada vez mais e mais espaço nas manchetes. Pelotas pode aproveitar esse bonde e embarcar junto, e em paralelo às cidades irmãs criarem algo que é tão comum no Estado. Lajeado e Estrela. Bento e Caxias. Gramado e Canela. Um último ponto que chama atenção é que Magalhães admite que as duas prefeituras, mesmo sendo do mesmo partido, não costumam dialogar sobre isso. Está na hora de mudar esse cenário e isso é urgente.
