Comunidade Umbandista recebeu um local específico para realizar a festa de Iemanjá

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Comunidade Umbandista recebeu um local específico para realizar a festa de Iemanjá

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 Há 50 anos

A comunidade umbandista de Pelotas finalizava os preparativos para a 8ª Festa de Iemanjá. Em 1976, a prefeitura destinou uma área exclusivamente para a realização dos trabalhos espirituais, que se estendeu desde a Gruta até a Colônia de pescadores Z3.

Outra alteração relacionada aos festejos dos dias 1 e 2 de fevereiro era sobre o acampamento. “Uma vitória foi alcançada com a destinação de uma área somente para a realização dos trabalhos”, disse Dinorá Feijó Leal, representante da Federação Sul-Riograndense de Umbanda, realizadora do evento.

Sorteio e procissão

Ainda no evento estava programado o sorteio de uma bicicleta para um adolescente, presente próximo à Gruta, que estivesse completando 15 anos no dia da festa. No programa estava prevista, para o dia 1, a saída da imagem peregrina de Rio Grande, conduzida pela Tenda da Caridade Espírita Santa Catarina.

Na oportunidade, as entidades fariam um minuto de silêncio em memória do sub-prefeito do Laranjal, Osmar Pinho, que havia morrido semanas antes do evento. O ponto alto era a procissão, no dia 2, com saída às 18h e entrega de oferendas à Iemanjá.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

Há 194 anos

Eleito, Gonçalves Chaves não integra primeira Câmara de Pelotas

(Foto: Reprodução)

O ano de 1832 marcou o início dos trabalhos na primeira Câmara Municipal de Pelotas, marcando o nascimento da atividade legislativa no município. O mandato de quatro anos foi finalizado em 1836.

Nesta primeira formação surgiram os nomes de quatro charqueadores: Antônio José Gonçalves Chaves, Cypriano Rodrigues Barcellos, Domingos José de Almeida e João B. de Figueiredo Mascarenhas, atuando como vereadores em 1832. A presença da elite econômica pelotense na vida política do município e até mesmo do estado e do país marcaram o século 19 até meados do século 20.

Porém, entre os vereadores eleitos, o charqueador Gonçalves Chaves não tomou posse do cargo devido à eleição para o cargo de deputado geral e sua atuação como vereador em Rio Grande.

De acordo com um artigo da pesquisadora e historiadora Mariana Couto Gonçalves, a elite charqueadora, antes mesmo do auge do ciclo do charque (1860 a 1890) já protagonizava a política da cidade. “Dessa forma, as leis e votações para as melhorias da cidade passavam por eles e, claro, esses charqueadores mantinham mais poder em suas mãos”, reflete. “Todos os vereadores eram, de alguma maneira, ligados à indústria saladeiril […] e seus interesses se materializam no principal meio de comunicação do político no período imperial”, comentada a historiadora, citando Victor Gomes Monteiro, autor de Um inventário do medo: A Pelotas escravista através das Atas da Câmara Municipal de Pelotas.

Trajetória

O português Antônio José Gonçalves Chaves (1781 – 1837) foi proprietário da Charqueada São João, em Pelotas, construída em 1810. Abolicionista, propôs, em seu livro Memórias ecônomo-políticas, de 1822, a extinção do tráfico de escravos em 18 meses e, a longo prazo, a abolição. Além disso, aborda o sistema de governo dos capitães generais, as municipalidades, a distribuição de terras no Brasil e a situação da Capitania do Rio Grande do Sul.

Foi membro do conselho administrativo da província em 1824, do conselho geral da província de 1828 a 1830 e em 1832. Foi pioneiro da navegação a vapor no Rio Grande do Sul em uma sociedade comercial. Juntamente com Domingos José de Almeida, que importou o motor dos Estados Unidos, construiu o primeiro barco a vapor no Brasil e o primeiro a navegar nas águas do Rio Grande do Sul, a barca Liberal, em 1832.

O mais votado

Foi o segundo deputado mais votado à 1ª Legislatura da Assembleia Legislativa Provincial do Rio Grande do Sul, em 1835. Com o início da Revolução Farroupilha, juntou-se ao lado republicano.

Após o assassinato do professor de suas filhas, na Charqueada São João, retirou-se para o Uruguai, onde estabeleceu uma charqueada em Punta Rodeo. Faleceu em um naufrágio perto da ilha dos Ratos, no Uruguai, quando retornava para a sua charqueada e um temporal virou o pequeno barco em que navegava.

Fontes: artigo A elite charqueadora pelotense e seus enlaces políticos, econômicos e sociais – Revista 8 – 2014, do Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas, autora Mariana Couto Gonçalves; wikipedia.org

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