Recitais propiciam o fortalecimento da formação artística e cultural

14ª edição

Recitais propiciam o fortalecimento da formação artística e cultural

Alunos do Festival Internacional Sesc de Música se apresentam diariamente no Conservatório da UFPel

Por

Recitais propiciam o fortalecimento da formação artística e cultural
(Foto: Ana Cláudia Dias)

Os recitais dos alunos integram, desde as primeiras edições, o eixo pedagógico do Festival Internacional Sesc de Música e se consolidaram como um dos espaços mais formativos e democráticos do evento. Coordenada pelo violinista e professor Geraldo Moori, a atividade oferece aos estudantes a oportunidade de vivenciar uma etapa fundamental da formação musical: a passagem do estudo individual para a performance pública. As apresentações acontecem durante as duas semanas do evento, com exceção do domingo, sempre às 13h, no Salão Milton de Lemos do Conservatório de Música da UFPel, nesta edição.

A atração pública do Festival funciona como um laboratório artístico no qual os alunos apresentam repertórios que estão em processo de amadurecimento. “Uma coisa é estudar em casa, outra é tocar diante do público”, destaca Moori. Essa experiência contribui diretamente para o desenvolvimento técnico, interpretativo e emocional dos jovens músicos, além de estimular a autonomia na escolha das composições e a responsabilidade artística.

A programação reflete a diversidade do Festival, reunindo instrumentos, formações e estilos variados, do violão ao piano, do trompete ao violino, do canto à música de câmara, comenta o coordenador. Todos os cursos estão representados, o que transforma os recitais em um ponto de encontro entre os músicos, os compositores e a plateia.

Oportunidade de luxo

Outro diferencial é a possibilidade de tocar com o pianista residente Paulo Bergmann, o que permite a execução de obras que exigem acompanhamento qualificado, incluindo reduções orquestrais de concertos. “O Festival propicia a experiência de tocar com um excelente pianista, que é o residente dos recitais, o Paulo Bergmann e eles podem fazer parte do repertório que exige acompanhamento de piano ou interpretar peças que são para um instrumento e piano específicos, isso é um luxo”, comenta o coordenador.

Comprometimento com diversão

A participação é voluntária, e os grupos muitas vezes se formam durante o próprio Festival, exigindo dos estudantes um intenso esforço de organização e ensaio nos intervalos das aulas e atividades coletivas. Foi o que contaram os jovens flautistas Sabrina dos Santos, Felipe Arcanjo, Ayrton Vinícius e Victor Santos, que antes de interpretarem O voo do besouro, de Nikolai Rimsky-Korsakov, na tarde desta quarta-feira (21), falaram da formação desse quarteto no hotel, onde estão hospedados.

Estreia em Pelotas

Se tem quem se apoie nos colegas de Festival para subir ao palco, tem os que encaram a plateia sozinhos e estreando uma composição própria em Pelotas. Foi o caso do pianista e compositor José Corrêa, 23, que interpretou The Voyage, criada por ele em 2002.

O potiguar participa da classe de Composição do Festival pela segunda vez, a primeira foi em 2023. Agora foi o nome do Liduino Pitombeira, professor de composição da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que o atraiu para o evento. “A gente aprende bastante sobre composição O Liduino nos apresentou linhas de pesquisas possíveis também para mestrado ou doutorado. Isso me ajuda bastante na minha carreira, deu um insight pra mim”, fala Corrêa que se formou no bacharelado em Composição e Arranjo e está em busca de um mestrado.

Plateia qualificada

E não é só no palco que estão os músicos, os participantes do Festival também fazem questão de assistir aos recitais, não só para apoiar os colegas. O pianista niteroiense José Eduardo Silva Pereira, 22, estreante no evento de Pelotas, foi prestigiar o evento. “É muito produtivo, aqui eu consigo ver o que colegas com idades próximas a minha estão fazendo e consigo adentrar mais nessa cultura musical, na qual o Brasil é muito difusa. O Festival concentra os músicos que estão com a mesma energia assim no mesmo lugar”, diz.

Ontem, na plateia também estava o músico pelotense e restaurador de pianos Rogério Resende, criador do Museu Nacional do Piano, em Brasília.  Resende, que costuma vir a Pelotas visitar familiares, nesta época do ano, conta que não poderia perder a oportunidade de conciliar a estada com os concertos do Festival do Sesc. “Se tem piano, eu aí estarei”, fala.

Mas desta vez, o estímulo foi a apresentação do compositor e pianista José Corrêa, seu amigo e cliente. “Ele aprendeu a tocar sozinho. É um excelente pianista”, comenta.

Em junho do ano passado, Rogério Resende recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília. Para o evento, o pelotense chamou Corrêa para tocar no evento. “Ele tocou Fantasia-improviso, de Chopin, dificílima e linda”, relembra.

Acompanhe
nossas
redes sociais