A normalização de um crime

Editorial

A normalização de um crime

A normalização de um crime
(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Deodoro e Pinto Martins. Na ocasião, duas moças foram jogadas para fora do carro em que estavam. Uma morreu no local e a outra dias depois. Mais um caso que chocou a comunidade devido à gravidade das imagens divulgadas. E é nisso que o crime salta aos olhos: imagens divulgadas.

Não as imagens de câmera de segurança, usadas pela imprensa para dar luz aos fatos e com cuidado ético. Nem as de carros destruídos. Mas sim cenas completamente sem filtro de corpos estendidos na calçada, lesões aparentes e pessoas mortas. Algo que se tornou corriqueiro na internet e expõe dois problemas: um crime sendo cometido e compartilhado com naturalidade e até com “gosto” pelo consumo do terror. Deve haver alguma explicação assustadora e desconfortável na psicologia, mas o fato é que essa questão, além de absurda, deve ser combatida. Vilipêndio digital de cadáver é crime e dá cadeia.

A era digital trouxe uma série de benefícios, mas também outros tantos problemas que precisam ser lidados. Na internet, todo mundo é, de certa forma, comunicador. Por um lado abre um núcleo positivo de fluxo de informações. Por outro, muitas vezes isso é feito sem alguns elementos básicos da comunicação tradicional, como a ética e o filtro na hora de emitir uma mensagem. É o caso do “vou filmar isso aqui e mandar no WhatsApp”. Muitas vezes o objetivo é só para um ou outro contato, mas e se a coisa viraliza. Será que a pessoa que filmou aquelas mulheres pensou que aquelas imagens terríveis poderiam chegar nas famílias delas?

O afã de contar algo para as pessoas não pode jamais se transformar em um mecanismo para cometer um crime, nem para faltar com ética, ou mesmo agir sem humanidade. É necessário olhar para as situações e compreender que há linhas que não podem ser cruzadas, por razões bastante óbvias. A principal delas é a decência básica.

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