Festival leva música de concerto para os corredores da Santa Casa

14ª edição

Festival leva música de concerto para os corredores da Santa Casa

Primeira ação na Comunidade transforma hospital em espaço de encontro entre a arte, os profissionais da saúde e os pacientes

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Festival leva música de concerto para os corredores da Santa Casa
O som dos violinos pode ser ouvido e apreciado pelas 12 alas ativas do hospital pelotense. (Foto: Paulo Rossi)

A música de concerto saiu dos palcos tradicionais e ganhou novos corredores. A primeira ação do 14º Festival Internacional Sesc de Música na Comunidade levou um trio de violinistas da Orquestra Jovem Sesc do Rio Grande do Sul, sediada em Pelotas, para dentro da Santa Casa de Misericórdia, transformando a rotina hospitalar em um momento de arte, escuta e sensibilidade.

Durante mais de uma hora, as musicistas circularam por diferentes alas do hospital, promovendo um cortejo musical que alcançou pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde. A iniciativa faz parte da proposta do Festival de ocupar espaços não convencionais, aproximando a música de concerto de públicos que, muitas vezes, não conseguem acessar salas de espetáculo.

Parceiro cultural

Segundo o coordenador do setor de Comunicação da Santa Casa, Daniel Campos, a ação começou a ser planejada ainda em agosto do ano passado, em parceria com o Sesc. “O Sesc é um parceiro nosso em diversas atividades culturais que realizamos aqui dentro. Esse cortejo anima quem está internado, os acompanhantes e também os trabalhadores do hospital. É uma forma de oferecer um respiro, uma diferença no dia a dia”, afirma.

A apresentação percorreu diversas alas ativas do hospital. A seleção dos espaços levou em conta a viabilidade de circulação das musicistas e o perfil dos pacientes. Áreas como a Traumatologia, onde muitos pacientes permanecem restritos aos leitos coletivos, receberam a música pelos corredores, permitindo que todos pudessem ouvir, mesmo sem se deslocar. “A música entra nos corredores e alcança os quartos. Assim, conseguimos atingir praticamente todos os leitos”, explica Campos.

Para os profissionais da saúde, a ação também trouxe impacto positivo. A enfermeira Francesca Vasconcelos, que atua na ala São José II, destaca a reação dos pacientes. “Eles ficam bem felizes. Em um momento de dificuldade, pelo menos têm essa alegria aqui dentro”, comenta. Para a equipe, a música quebra a rotina intensa. “Dá uma descontraída, muda o clima por alguns minutos.”

Experiência que impressiona

Entre as musicistas, a violinista Cindel Rodrigues, de 19 anos, já havia vivenciado isso. “Ano passado toquei no Festival e também estive aqui nesse hospital. É impressionante. Tocar em hospitais é um conforto, tanto para quem ouve quanto para quem toca”, relata. Já Esther Braga Silveira, de 17 anos, participou pela primeira vez de uma ação do tipo. “É um sentimento surreal, porque a gente vê que consegue alegrar o dia das pessoas”, afirma.

Surpresa

A apresentação também surpreendeu os acompanhantes. A dona de casa Jaci Weber, 64 anos, que cuida da irmã internada desde sexta-feira, ficou encantada. “Amei, eu adoro violino”, disse. Moradora de Herval, ela conta que não sabia que o festival estava acontecendo na cidade. “É muito bom ter um momento assim aqui dentro. É bom para os pacientes e para quem cuida. Maravilhoso.”

Com ações como essa, o Festival Internacional Sesc de Música reafirma seu compromisso de democratizar o acesso à cultura, levando a música de concerto a espaços onde ela se torna ainda mais significativa. Na tarde desta terça-feira (20), um grupo de cordas também esteve no Hospital Beneficência Portuguesa e, à noite, o Octeto Sesc Musicar Maranhão fez um recital na Paróquia Santa Terezinha.

Atrações desta quarta-feira

A programação do Festival Internacional Sesc de Música continua nesta quarta (21) com atrações, a partir das 13h, com o  Recital de Alunos, no Conservatório de Música da UFPel. À noite, o espetáculo Tango Ember, da Argentina, celebra a chama eterna do tango, no Theatro Guarany.

Com um nome que remete à “brasa” que permanece acesa, Tango Ember representa a intensidade, elegância e vitalidade dessa arte. No palco, cinco casais de bailarinos, um cantor e um quarteto típico de tango (bandoneón, piano, contrabaixo e violino) dão vida a uma performance arrebatadora.

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