O caso da última semana, em que o produtor rural Marcos Nörnberg foi morto em uma operação atrapalhada e com erros inaceitáveis por parte da Brigada Militar, traz reflexões. Quase uma semana depois do ocorrido, ainda há pouca clareza por parte da polícia sobre o tema e, ao que tudo indica, o detalhamento dos motivos que levaram a uma ação absurda e com final trágico só será feito ao longo do processo judicial. Esse caso, porém, reforça a necessidade de uma tecnologia já existente, já usada e que precisa ser de amplo alcance: as câmeras corporais em policiais.
É importante deixar claro que tal tecnologia não tem necessariamente o fim de fiscalizar só os policiais. Também oferece segurança para eles diante de potenciais violências que venham sofrer. Mas serve também como uma defesa da própria imagem da corporação. Quando erros e falhas acontecem – e descambam, muitas vezes, para a violência – é necessário que se tenha elementos para compreender o que houve, quais ações foram tomadas e punir.
Os casos de aplicação da tecnologia no país são de sucesso praticamente absoluto. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP) é um dos políticos que foram firmemente contra o emprego desse equipamento e, depois, mudaram de posição. “Estou absolutamente convencido que é um instrumento de proteção da sociedade e do policial”, disse o governador ao afirmar que estava “completamente errado”. Nesse dia, uma câmera filmou um policial assassinando uma pessoa. Ele foi expulso, a corporação manteve sua imagem e a sociedade teve uma resposta muito rapidamente.
No Estado, há mais de um ano a tecnologia já é aplicada em Porto Alegre. Urge que o governo faça a expansão para o interior, onde só este ano, já são diversas ocorrências relacionadas à polícia que poderiam ter respostas bem mais rápidas se houvesse câmeras corporais. O investimento pode ser caro, mas o resultado é garantido e benéfico para todo mundo. Em especial, para a própria polícia, além, é claro, do cidadão, que paga seus impostos e quer dormir tranquilamente sabendo que pode confiar nas instituições de segurança pública e nos indivíduos que compõem elas.
