Na primeira banca da avenida Bento Gonçalves, no sentido centro-bairro, o vermelho vivo dos morangos produzidos por Marcos Nörnberg contrastava com o preto das roupas usadas por produtores rurais, familiares e amigos, que se manifestaram de forma silenciosa em memória do colega e da tragédia que atingiu a feira.
“Na verdade, tudo o que o Marcos iniciou está vivo. A produção está pronta, o morango está pronto, os milhos estão prontos. Estamos aqui com nossos produtos, amigos, família e a associação dos feirantes, a Afapel, da qual fazemos parte”, relata a viúva. Segundo Raquel, a decisão de dar continuidade à produção é da família, liderada pela filha Fernanda Azevedo, que recentemente esteve no Canadá para se especializar e auxiliar no cultivo do fruto. “Como a gente vai estar, eu não sei. Não sei de onde vamos tirar forças. Mas vamos honrar tudo o que o Marcos construiu”, afirma.
Para o colega de feira e de lida no campo, Evalcir Rogério Hartwig Dravanz, 51 anos, Marcos Nörnberg, além de amigo, era como um irmão. “Um rapaz que não tinha maldade. Estava sempre de boa, uma pessoa muito querida. A gente nem sabe o que vai dizer hoje”, confessa. Para ele, o momento é de apoiar a família, especialmente o pai da vítima, que ainda carrega traumas de assaltos sofridos anteriormente. “Foi uma surpresa, e acho que os fatos precisam ser esclarecidos. Tem muita coisa errada na ação. Sei que estão averiguando, mas hoje o poder fala mais alto. Ninguém mais pensa no próximo. Essa é a minha opinião”, desabafa o agricultor que também cultiva morangos e, assim como outras bancas expôs a foto do colega Nörnberg, em homenagem.
