Marroni aciona secretarias para tentar reequilibrar base

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Marroni aciona secretarias para tentar reequilibrar base

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O prefeito Fernando Marroni (PT) convidou o vereador Paulo Coitinho, do Cidadania, para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Rural. O convite foi confirmado por Coitinho, que avalia a proposta, mas informou que só deve dar uma resposta até o final do mês. O movimento ocorre em meio a uma tentativa do governo de reorganizar a relação com a Câmara de Vereadores após um fim de 2025 marcado por desgaste político e derrotas em projetos considerados estratégicos.

A Secretaria de Desenvolvimento Rural era, até novembro, um espaço ocupado pelo PP, quando Anderson Schmidt comandava a pasta por indicação do vereador Michel Promove. A relação foi rompida, Schmidt perdeu espaço dentro da secretaria e Antônio Leonel passou a responder de forma interina. Ao buscar um vereador com mandato para o cargo, Marroni sinaliza que a recomposição é mais política, mirando diretamente o equilíbrio de forças no Legislativo.

Caso Coitinho aceite o convite, a mudança se reflete imediatamente na Câmara, com a entrada do suplente Jone Soares, do PSDB. Isso adiciona uma nova variável à base do governo, já que o PSDB mantém uma relação de aproximações e distanciamentos com o Executivo, sendo mais próximo em alguns votos de Marisa Schwarzer e mais reticente com Tuã Ney. O convite, portanto, não garante maioria, mas amplia o campo de negociação.

O cenário ainda é impactado pela situação da vereadora Fernanda Miranda, do PSOL, suspensa por decisão judicial. Com a eventual posse do suplente Júlio Moura, da Rede, será necessária a formação de uma nova bancada, mesmo dentro da federação.

A leitura no entorno do Executivo é de que o convite a Coitinho faz parte de um esforço mais amplo de reorganização do tabuleiro político. Além do Cidadania, o PSD, de Carlos Junior e Antônio Peixoto, segue no radar, enquanto o PSB, que já ocupa duas secretarias e cargos de confiança, é observado com cautela em razão da oposição feita pelo líder Cesinha. Sem declarações públicas, o governo trabalha para reduzir a instabilidade na Câmara e reconstruir uma base mais previsível para 2026.

Resposta

Em nota à coluna, a federação afirmou que o suplente está alinhado com a base de esquerda formada por PT e PSOL, ainda que gere desconfiança internamente. Além disso, a indefinição sobre a data da posse mantém essa peça como um fator de incerteza para o governo.

Agenda ferroviária

A proximidade do fim da concessão da Malha Sul, hoje operada pela Rumo Logística e com vencimento em 2027, recolocou a ferrovia no centro da agenda industrial do Sul do país. O Sistema FIERGS reúne, nesta semana, secretários federais e estaduais para discutir o novo modelo de concessão proposto pelo governo federal, num momento em que a indústria gaúcha tenta evitar a repetição de um histórico de baixa entrega logística, gargalos operacionais e pouca integração com portos e rodovias.

O peso político do encontro está na presença de representantes da União, da ANTT, dos governos do RS, SC e PR e de federações empresariais dos três estados, sinalizando uma tentativa de pressão regional coordenada. Com decisões que precisam ser tomadas ainda em 2026, o debate vai além da técnica e entra no campo do modelo de Estado, definindo se a ferrovia seguirá como ativo privado com baixa contrapartida pública ou se passará a integrar uma estratégia efetiva de competitividade e desenvolvimento regional.

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