Verão exige cuidados redobrados com os pés

Corpo e Mente

Verão exige cuidados redobrados com os pés

Podólogas dão dicas de como é importante manter a higiene para evitar micoses e fissuras

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Verão exige cuidados redobrados com os pés
No verão eles ficam mais à mostra e exigem atenção para evitar doenças (Foto: Jô Folha)

Com a chegada do verão, sandálias, chinelos e pés à mostra passam a fazer parte da rotina. Unhas bem cuidadas, esmaltes coloridos e maior exposição ganham protagonismo, mas, junto com a estética, surge a necessidade de atenção especial à saúde dos pés. O calor intenso e a transpiração excessiva criam um ambiente favorável à proliferação de fungos, bactérias e parasitas, aumentando os casos de frieiras, micoses, mau odor e outras infecções comuns nesta época do ano.

O Caderno Corpo e Mente consultou duas podólogas para saber o que é preciso fazer para manter a saúde dos pés em dia e poder desfilar com eles pelas praias, piscinas e eventos. Segundo a podologista Raquel Berny, o período exige cuidados simples, porém essenciais. “A umidade e o calor favorecem o aparecimento de micoses e fungos nas unhas. Elas são ricas em queratina, que acaba se tornando o ambiente ideal para o desenvolvimento desses micro-organismos”, explica.

Higiene diária é o primeiro passo

A principal orientação é manter uma rotina rigorosa de higiene. “É fundamental lavar os pés diariamente com água e sabão, secar muito bem, especialmente entre os dedos, e manter a pele hidratada com cremes ou óleos específicos”, orienta Raquel. A falta de secagem adequada é um dos fatores que mais contribuem para o surgimento de frieiras e infecções fúngicas.

A especialista destaca ainda a importância do acompanhamento profissional. “O ideal é procurar o podólogo a cada 30 dias para manter os pés limpos e saudáveis, além de realizar a onicotomia, que é o corte correto das unhas. Unhas cortadas de forma inadequada podem provocar problemas como unhas encravadas”, alerta.

Ambientes úmidos exigem cuidados extras

Piscinas, vestiários, duchas coletivas e academias são locais propícios à proliferação de fungos. Nesses ambientes, o uso de chinelos é indispensável. “Os fungos se multiplicam facilmente em locais úmidos e quentes. Por isso, não é indicado permanecer muito tempo com os pés molhados dentro de calçados fechados”, explica Raquel.

Na praia, embora andar descalço seja comum, o hábito também pode trazer riscos. Além das micoses, há perigo de parasitas, como o bicho-de-pé, e o surgimento de calos e calosidades devido ao atrito constante com a areia. “Evitar compartilhar toalhas, meias e hidratar bem os pés após a exposição são medidas importantes”, completa.

Calçados e meias fazem diferença

O tipo de calçado utilizado interfere diretamente na saúde dos pés. “É importante escolher calçados confortáveis, que não apertem nem causem pressão, evitando lesões e que tenham palmilhas ortopédicas”. Talcos e sprays antifúngicos podem auxiliar no controle da umidade, mas não substituem a higiene adequada.

Protetor solar também é para os pés

Na clínica da podóloga Mariane Marques Soares, no Laranjal, a busca maior é por cuidados com micoses. O olhar clínico da profissional já consegue perceber o problema a partir da marcha da pessoa. “Quando ela entra, eu já vejo o jeito dela caminhar, o formato dos pés. Dependendo se a pessoa está com algum inchaço, alguma vermelhidão, vou observando”.

Tratamento inclui emoliência para retirar excessos (Foto: Jô Folha)

Ela lembra que os pés, muitas vezes esquecidos, também precisam de proteção solar. “O ideal é usar protetor solar com FPS 30 ou superior no dorso dos pés, especialmente na praia e na piscina, reaplicar sempre após sair da água. Isso ajuda a prevenir queimaduras e até o câncer de pele”, alerta.

Ela também chama atenção para a hidratação correta. “Cremes leves ajudam a combater o ressecamento, mas devem ser usados preferencialmente à noite, após a higiene. Durante o dia, a pele pode ficar escorregadia e causar quedas”, explica. Já sobre calçados, a dica é usar os de couro, pois até os sintéticos podem causar transpiração.

Menos lixa, mais cuidado

Outro erro comum é o excesso de lixamento dos pés. “Lixar com muita frequência afina demais a pele, favorecendo o surgimento de fissuras. O ideal é utilizar esfoliantes duas a três vezes por semana e manter a hidratação diária”, orienta Mariane.

As meias também merecem atenção. “As de algodão absorvem melhor o suor e ajudam a evitar a proliferação de fungos e bactérias. No verão, trocar as meias ao longo do dia é uma boa estratégia”, reforça.

Quando o problema exige atenção médica

Feridas que não cicatrizam, cortes persistentes, bolhas, vermelhidão, inchaço, calor local, dor intensa, secreção ou mau cheiro são sinais de alerta. “Esses sintomas podem indicar infecções profundas ou problemas de circulação e precisam de avaliação profissional”, afirma Mariane.

Pessoas com diabetes devem ter atenção redobrada. “É fundamental inspecionar os pés diariamente, lavar com água morna e sabão neutro, secar bem, hidratar a pele, exceto entre os dedos, usar calçados confortáveis e jamais andar descalço”, orienta a podóloga.

No dia em que recebeu a reportagem, Mariane fazia uma emoliência nas calosidades e na pele da cliente, para poder remover excessos. “Geralmente se forma uma pelezinha entre a unha e a pele, que a gente chama de onicofose, que é a calosidade”, explica. O emoliente é para facilitar a remoção.

Já as pessoas com uma unha mais grossa, comparada às outras, a profissional explica que pode ser uma doença ou malformação. “Por isso é interessante fazer o micológico. Há quem seja resistente ao exame e utilize qualquer remédio de propagandas, mas é preciso ser vigilante para ter certeza que é fundo ou algo mais sério”, destaca.
Saúde começa pelos pés

A podoprofilaxia, conjunto de cuidados preventivos realizados pelas podólogas, é uma aliada importante para evitar micoses, calos, calosidades, rachaduras e fissuras. “Os pés sustentam todo o corpo. Cuidar deles é investir em qualidade de vida, bem-estar e saúde”, concluem as especialistas.

A professora Cecília Soares, 48, conta que estava com frieira entre os dedos, o que lhe causava mal-estar, coceira, vermelhidão e inchaço. “Consultei com a Mariene e ela fez aplicações de laser e foi cicatrizando as fissuras. Isso me causou um conforto enorme”, revela. Para a professora, o investimento foi fundamental e uma questão de advertência de como cuidar melhor dos pés e da saúde em geral.

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