Responsabilidade coletiva

Editorial

Responsabilidade coletiva

Responsabilidade coletiva

Enquanto milhares de mulheres protestavam Brasil afora por segurança e contra o feminicídio, no último fim de semana, Pelotas registrava mais de uma dezena de pedidos de medida protetiva, além de outros casos de violência de gênero. Em uma cidade que hoje bate no peito com orgulho de ter se tornado um lugar que tem índices de homicídio melhores do que o “primeiro mundo”, ainda temos um desafio urgente que é lidar com um crime silencioso, que acontece muitas vezes dentro de casa, atrás de portas fechadas e regido pelo silêncio, tanto das vítimas quanto de testemunhas.

Diante do cenário assustador de violência contra mulheres que surgem a cada dia, é essencial que seja relembrado que fazer barulho diante disso é fundamental. Por ser um crime que acontece justamente “na segurança” do lar, é mais difícil de entrar no radar das autoridades e das ações de prevenção. Esse motivo faz com que a responsabilidade de estar alerta caiba a toda a sociedade. Vizinhos que ouvem algo e desconfiam, amigos que percebem o mais simples ato de violência, física ou verbal, familiares que notam mudança de comportamento ou detalhes que chamem atenção… todo mundo precisa estar em estado constante de vigilância para que a prevenção seja possível.

Obviamente, os órgãos de segurança também têm sua parcela de responsabilidade, de fiscalizar as medidas, de atuar preventivamente e de agir com agilidade quando acionados. Quantos casos de crimes consumados viram notícia e, ao longo do detalhamento, sabe-se que o acusado já tinha histórico, descumpria medidas e já tinha passagem policial? A prevenção também passa por atuação estratégica e tática para frear os criminosos.

Mas o ponto disso tudo passa pela educação. Pela formação de homens com uma nova consciência de respeito, através de ações em escolas, desde a base. De forma estruturada e continuada. Pela reorganização de uma lógica de sociedade em que realmente ainda existe quem pensa que “não se mete a colher”. Brigas domésticas podem ser sim o embrião de violência física ou verbal. Toda a sociedade tem por obrigação estar atenta aos sinais e agir quando necessário. Quem opta por neutralidade em situações assim, tem sangue nas mãos.

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