Sul Resiliente integra cidades na construção de plano de contingência climática

Estratégia

Sul Resiliente integra cidades na construção de plano de contingência climática

Movimento também contará com participação de cidades da Campanha e do Centro-Sul

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Sul Resiliente integra cidades na construção de plano de contingência climática
(Foto: Jô Folha)

Com o objetivo de transformar a experiência em estratégia para combate de futuros desastres climáticos, como os já vividos pelo Rio Grande do Sul nos últimos anos, a região Sul une-se com cidades da Campanha e do Centro-Sul, através do setor público, privado e da academia, para construir um amplo plano de resiliência climática. O chamado Movimento Sul Resiliente foi lançado com o objetivo de ser uma política pública regional, com horizonte entre 2030 e 2050.

A liderança é da Agência de Desenvolvimento da Zona Sul. A atual presidente é a secretária Extraordinária de Relações Institucionais do Estado e ex-prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas. À frente da cidade durante o período de enchentes em 2024, comandou a Sala de Situação, com auxílio dos órgãos de segurança e equipes técnicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Esta experiência, segundo ela, foi dolorosa para todo o Rio Grande do Sul e deve servir para preparar um futuro melhor. “As ações do governo gaúcho através do Plano Rio Grande já estão tornando o Estado como o mais resiliente do país”, pontua.

O Movimento Sul Resiliente nasce para integrar as ações entre as cidades e, nos próximos quatro anos, elaborar um Plano Regional de Adaptação e Resiliência, documento que definirá estratégias de curto, médio e longo prazo, que irão compreender desde manejo ambiental até infraestrutura e políticas sociais.

Para além disso, a Agência de Desenvolvimento da Zona Sul propõe-se a transformar as decisões tomadas em conjunto pelos agentes em ativos, de forma que a resiliência climática passará a ajudar os municípios também na atração econômica e se destaque como um diferencial competitivo da região Sul. “A ideia é nos unirmos e pensarmos em uma estratégia em comum de resiliência e adaptação que nos prepare para eventos extremos, além de podermos dar uma resposta melhor para o desenvolvimento econômico”, diz Paula.

Municípios

Os eventos climáticos extremos não estão reduzidos às enchentes, mas o Rio Grande do Sul enfrenta, em especial nos últimos anos, uma sequência de desastres ligados a períodos de estiagem e passagens de ciclones extratropicais.

Durante o lançamento do Sul Resiliente, o presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) e prefeito de Pinheiro Machado, Ronaldo Madruga, destacou o protagonismo da Defesa Civil nas prefeituras e reafirmou a importância da união regional. “Precisamos que o estudo científico esteja integrado ao poder público, principalmente no planejamento das cidades. Somente o trabalho conjunto nos levará ao desenvolvimento da região”, afirma.

Ciência

O Sul Resiliente integra-se com a ciência através dos profissionais do Núcleo Integrado de Previsões (NIP) da UFPel e do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex) da Furg.

A coordenadora do NIP, Tamara Beskow, aposta que o fato de desenvolver um trabalho conjunto com diversos municípios da região, já há alguns anos, é um grande diferencial para o andamento do movimento Sul Resiliente. “Lançamos essa ideia do plano de adaptação e resiliência, como uma oportunidade de mobilização dos setores em prol da resiliência, para que a nossa região comece a olhar não de forma fragmentada, mas de uma forma coletiva para esses problemas”, diz.

Educação

Um levantamento da Subcomissão Especial da Câmara dos Deputados aponta que mais de 1.106 escolas estaduais foram atingidas pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, o equivalente a 47,21% da rede. Na Zona Sul, foram 135 escolas estaduais afetadas, 26 danificadas, o que prejudicou 45,7 mil estudantes e ocasionou a perda média de 23 dias de aulas.

Presente no lançamento do movimento, a secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, apresentou o Plano de Escola Resiliente que foi elaborado como guia a ser aplicado pelas equipes diretivas da rede. Ele serve como um guia para trabalhar a gestão de risco e de desastres nas instituições de ensino, onde elas passam a conhecer suas vulnerabilidades e mapeiam seus pontos seguros. “Em qualquer evento climático extremo, a escola é a primeira a ser atingida e a escola é um espaço que muda comportamentos, então, ela tem que estar no eixo de qualquer decisão”, afirma Raquel.

Próximas etapas

A partir de agora, serão promovidos debates nos municípios, entre suas comunidades, para destacar experiências e problemas enfrentados com os recentes desastres. Após esta etapa, o Movimento Sul Resiliente irá consolidar diagnósticos, priorizar ações e elaborar o Plano Regional. O documento servirá como referência para políticas públicas, captação de recursos e estruturação de respostas às emergências climáticas.

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