Hospitais filantrópicos da região oficializam criação de associação

Saúde pública

Hospitais filantrópicos da região oficializam criação de associação

Proposta é unir forças para enfrentar os gargalos do Sistema Único de Saúde e buscar sustentabilidade

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Atualizado quinta-feira,
16 de Outubro de 2025 às 11:24

Hospitais filantrópicos da região oficializam criação de associação
Assinatura aconteceu na quinta-feira (9) em evento da Beneficência Portuguesa (Foto: Jô Folha)

Em uma iniciativa inédita, a Associação dos Hospitais Filantrópicos da Metade Sul do Rio Grande do Sul foi oficializada ontem, durante a Jornada Hospitalar da Beneficência Portuguesa. O presidente será o diretor Executivo, médico Armando Manduca Rocha, que assinou o documento juntamente com os representantes do Hospital Universitário São Francisco de Paula, Hospital Espírita, Santa Casa de Pelotas, Santa Casa de Rio Grande e Santa Casa de Caridade de Bagé.

A entidade nasce com o propósito de unir forças, compartilhar experiências e buscar soluções conjuntas diante de um problema comum a todas as instituições do setor: o subfinanciamento crônico do Sistema Único de Saúde (SUS), que ameaça a permanência de serviços hospitalares em dezenas de municípios. “A sustentabilidade dos hospitais é crucial para garantir a entrega de serviços de saúde de qualidade à população”, afirma o diretor do HUSFP, Caio Lopes, que será o primeiro-secretário.

Ele lembra que a união anterior de hospitais filantrópicos de Pelotas resultou no incremento do teto MAC (estabelece o limite máximo de recursos federais repassados para estados e municípios para custear serviços complexos, como cirurgias), que ajudou a custear prejuízos e complementar o financiamento do SUS.

Associados

O diretor Manduca adianta que a entidade deve ampliar rapidamente o número de integrantes, com o interesse de instituições de Dom Pedrito e Santa Vitória do Palmar. “O fortalecimento regional da categoria é fundamental. Pelotas é uma grande referência para nós, assim como Bagé, e a criação dessa associação representa um passo importante para que os hospitais da região tenham mais voz e consigam encurtar distâncias nas demandas”, destacou o diretor administrativo da Santa Casa de Dom Pedrito, Márcio da Costa Melo. Ele lembra que o SUS trabalha com o princípio da regionalização, mas que, na prática, as políticas públicas ainda se concentram nos grandes centros.

Representação unificada

Segundo o vereador e gestor hospitalar Rafael Amaral (PP), que será o vice-presidente da Associação, a criação da entidade é uma resposta à falta de representatividade das regiões mais afastadas dos grandes centros. “A realidade da saúde na Metade Sul é muito diferente da de Porto Alegre. Precisamos de uma voz coletiva que lute por melhorias, evite o fechamento de leitos e garanta a continuidade de serviços essenciais”, afirma.

O objetivo é consolidar uma frente comum de negociação com governos, prefeituras e planos de saúde, buscando não apenas repasses mais justos, mas também soluções conjuntas para a compra de insumos e medicamentos. “Uma das propostas centrais é a criação de um consórcio regional de compras, para reduzir custos e aumentar o poder de barganha dos hospitais”, sinaliza.

Tabela SUS

Os gestores reconhecem a importância do SUS como “o maior plano de saúde do mundo”, mas denunciam a defasagem da tabela de procedimentos, que cobre menos da metade do custo real de cirurgias, internações e medicamentos. “Os preços dos insumos e equipamentos sobem com o dólar, mas os repasses do SUS seguem congelados. A conta não fecha”, resume Manduca. Ele lembra que hospitais como a Beneficência Portuguesa enfrentam altos custos mensais e têm média de permanência hospitalar mais longa, pois atendem casos complexos, enquanto pacientes com quadros leves são tratados em casa.

Desafios tecnológicos

Outro ponto destacado é a dificuldade de modernização tecnológica. “O pagamento atual do SUS não cobre nem o custo do procedimento, muito menos a reposição de equipamentos essenciais, como máquinas de hemodiálise, que precisam ser trocadas a cada cinco anos”, alerta o diretor. Ele também critica o modelo de pagamento por valor fixo, que não leva em conta as comorbidades e complexidades individuais dos pacientes.

A partir das demandas apontadas, a nova Associação pretende ser o ponto de partida para uma articulação permanente entre os hospitais da Metade Sul, buscando soluções coletivas para um sistema essencial, mas financeiramente pressionado. “Nossa união é para que os hospitais filantrópicos continuem fazendo o que sempre fizeram: atender quem mais precisa, com qualidade e dignidade”, conclui Manduca.

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