Da facada ao julgamento

Opinião

Jarbas Tomaschewski

Jarbas Tomaschewski

Coordenador Editorial e de Projetos do A Hora do Sul

Da facada ao julgamento

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As eleições de 2026 começam no dia 12 de setembro. Vou explicar.

Foi encerrado o prazo de credenciamento dos veículos de comunicação e dos profissionais de imprensa que pretendem cobrir o maior julgamento da história do Brasil pós-redemocratização. Oito réus do chamado Núcleo 1 da Ação Penal 2668 terão seus futuros decididos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na apuração da tentativa de golpe de Estado. O julgamento começa na próxima terça-feira e tem previsão de término no dia 12 de setembro.

Na sala de sessões da Primeira Turma do STF e no plenário da Segunda Turma, no mesmo prédio, estarão centenas de integrantes da imprensa. Além disso, as sessões serão transmitidas ao vivo pela rádio, pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube.

São réus o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); o deputado federal e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem (PL); o almirante e ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos; o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; o general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno; o tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid; o general e ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; e o general da reserva e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, Walter Braga Netto. Todos respondem por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O cenário descrito acima revela a importância do que estará em jogo. Não será um julgamento comum. Ao contrário. As eleições também estarão na mesa dos ministros do STF. Assim como a facada que atingiu o ex-presidente Jair Bolsonaro influenciou no resultado das urnas em 2018, a decisão do julgamento também irá pesar nos votos. Para qual lado? Nesse momento, é impossível apontar. Se a natureza derrotista de uma eventual condenação pode ser vista como vitória, também tem ingredientes para estimular reações.

A semana que antecedeu ao julgamento teve movimentos estratégicos. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) palestrou a empresários em tom de pré-candidatura presidencial. Falou em “40 anos em 4”, no Brasil escolher entre “olhar para o passado” ou “avançar para o futuro”, na redução do número de ministérios e em mudanças fiscais e orçamentárias. Tarcísio é o plano A para substituir Bolsonaro, hoje inelegível. O presidente Lula (PT), por sua vez, assinou a recondução de Paulo Gonet à Procuradoria-Geral da República (PGR) por mais dois anos. Gonet recomendou à Polícia Federal a ampliação do monitoramento do ex-presidente, preso em casa desde 4 de agosto.

Lula, aliás, já enxerga o governador de São Paulo como o nome da direita que irá enfrentar. As peças começam a se apresentar no tabuleiro eleitoral e o jogo terá início no dia 12 de setembro, quando o STF baterá o martelo e anunciará seu veredito. Com o Brasil em ebulição.

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