Foi a terceira entrevista da série da Rádio Pelotense com os pré-candidatos ao governo do Estado. Depois de Gabriel Souza (MDB) e Luciano Zucco (PL), foi a vez de Paula Mascarenhas (PSDB) ocupar o microfone. A ex-prefeita de Pelotas, hoje secretária de Relações Institucionais e presidente estadual do PSDB, falou em um tom equilibrado, mas o conteúdo deixou transparecer um partido em fase de dúvida sobre o próprio papel.
Paula reconheceu a transição e a necessidade de reestruturação após a saída de Eduardo Leite da sigla, sem disfarçar que o PSDB tenta reencontrar sua identidade. Afirmou que segue disposta a permanecer, desde que o partido mantenha coerência com seus princípios históricos, lembrando do voto em Mário Covas nas eleições presidenciais de 1989. É uma frase que diz muito: há consciência de que a legenda perdeu referências e hoje ocupa um espaço indefinido entre o governo e a oposição, entre o pragmatismo e a busca por sentido político.
A pré-candidatura ao governo, lançada meses atrás, foi tratada com naturalidade, quase como um gesto protocolar. A impressão é de que o movimento tem mais função de reposicionamento partidário do que de uma aposta eleitoral concreta. O PSDB busca visibilidade em um cenário em que o centro político se tornou um território estreito, pressionado pelos extremos e pela lógica do governo de coalizão.
No campo administrativo, Paula destacou o trabalho ligado à resiliência climática e ao Plano Rio Grande, com recursos do FUNRIGS. As obras dos diques e o movimento “Sul Resiliente” aparecem como tentativas de dar sentido a uma agenda de reconstrução após a tragédia das enchentes e, ao mesmo tempo, de afirmar a presença política da Zona Sul dentro do Estado.
Entre a política e a gestão, Paula Mascarenhas parece representar um PSDB que tenta preservar relevância em meio à dispersão. O discurso da resiliência, no fundo, cabe também à sigla. E, se a candidatura ao governo não ganhar corpo, a leitura que fica é de que o nome de Paula pode encontrar caminho mais natural numa disputa à Assembleia, onde a Zona Sul ainda carece de representação e onde o centro político talvez tenha mais espaço para recomeçar.
Quando o bom senso volta à política
O que começou como uma crise terminou em acordo e lucidez política. Ontem, líderes de bancadas da Câmara de Vereadores de Pelotas se reuniram com representantes da causa animal e decidiram aceitar o orçamento do setor para 2026 em R$ 7,2 milhões dentro da Lei de Diretrizes Orçamentárias. A decisão, que será consolidada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por César Brisolara (PSB), entre quarta e quinta-feira, foi construída por um grupo que reuniu os principais líderes partidários: Marcola (UB), Michel Promove (PP), Cauê Fuhro Souto (PV), Daniel Fonseca (PSD), Marcelo Bagé (PL) e Arthur Hallal (PP). A articulação contou ainda com papel determinante de Cristina Oliveira, ex-vereadora, suplente, defensora da causa animal e atual diretora executiva da Secretaria de Obras de Pelotas, que ajudou a costurar a conciliação.
Tensão foi o que não faltou nos bastidores. Quando a LDO projetou R$ 7,2 milhões para o bem-estar animal, o valor passou a ser atacado sob o argumento de que as Secretarias da Mulher e da Igualdade Racial tinham apenas R$ 2 milhões cada. O comparativo, raso e perigoso, transformou uma questão técnica de orçamento em disputa ideológica. O município é alvo de uma ação civil pública que o obriga a construir um novo canil e um novo gatil.
A audiência pública, conduzida pelos vereadores Ivan Duarte (PT) e Marisa Schwarzer (PSDB), deveria servir para esclarecer o investimento, mas terminou em tensão, ofensas e crime. No auge do tumulto, o vereador Michel Promove (PP) foi vítima de injúria racial por parte de pessoas que deixaram a plateia e avançaram para o espaço reservado aos vereadores. Um episódio lamentável que deslocou o foco da pauta.
Após isso, porém, a engrenagem política já tratou de se reorganizar. O diálogo, antes contaminado por acusações, virou entendimento. Cristina Oliveira, ex-vereadora e ativista da causa animal, com trânsito em diferentes grupos, ajudou a virar o jogo e pacificar as bancadas. O resultado é que o orçamento do bem-estar animal vai subir através da promessa de uma emenda de R$ 800 mil, as secretarias da Mulher e da Igualdade Racial também ganharão reforços de emendas e todos saem com discurso de vitória.
Prefeito de Canguçu se recupera após AVC
O prefeito de Canguçu, Arion Braga (PP), deixou a UTI e foi transferido para um quarto de internação, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico transitório. Conforme a família e da assessoria de imprensa, Arion está lúcido, apresenta movimentos normais e segue em “plena recuperação”. As visitas permanecem restritas apenas a familiares, e o prefeito não tem utilizado o celular durante o período de descanso, conforme orientação médica. Durante o afastamento, o vice-prefeito Ariel Timm responde interinamente pelo Executivo municipal, garantindo a continuidade da administração. A comunidade canguçuense e lideranças da região têm manifestado apoio e votos de pronta recuperação ao prefeito. Que Arion plena recuperação, com saúde restabelecida e serenidade.