Advogado há mais de cinco décadas, o escritor e ex-vereador, Luiz Geraldo Telesca Mota, com 81 anos, mora em Canguçu e tem vínculo forte com a leitura em sua vida, incentivando o fomento ao conhecimento para os que estão ao seu redor. Dentre suas obras já publicadas, estão: “A Sabedoria dos Adágios” (2018), uma coleção de provérbios; “Depressão: Minha Experiência” (2018), sobre sua experiência pessoal com a doença; “Covid-19: Um Breve Estudo” (2020), um estudo sobre o impacto da pandemia; e “Achados Poéticos Parnasianos” (2022), um livro de poemas. Falando em poesias, esta é uma parte especial da vida de Telesca. Diariamente, ele produz poemas inspirados em suas vivências e leituras, e registra-os em seu perfil pessoal no Facebook.
O que o motivou a começar a escrever poesias diariamente?
Foi a necessidade de expor o que pensava de maneira lírica, enquanto criticava
circunstâncias da vida real. Sempre escrevo de acordo com o que ocorre no momento, procurando não tomar posição, mas tomando uma posição equidistante, para que todos os leitores gostem, sejam eles mais à esquerda ou mais à direita do espectro político.
Como a sua experiência como advogado influencia sua escrita?
O advogado passa por momentos indivisíveis, nem tanto assim indivisíveis, porque apesar dessa condição o advogado procura transferir suas reflexões em poesias, fazendo, no meu caso, rimadas e na forma parnasiana. Há o advogado e os advogados: aqueles que têm vocação e aqueles que foram levados à profissão. Eu sou advogado por natureza, já nasci assim. Sempre estudei muito e me dediquei a tentar fazer justiça, procurando o direito do meu cliente.
Entre os livros que publicou, qual tem um significado mais especial para você? Por quê?
“A Depressão – Minha experiência”, porque narra as dificuldades, das maiores, que essa doença, que acomete 10% da humanidade, produziu em mim e produz em todas as pessoas. Tive, durante a minha vida, pelo menos 30 anos de depressão. É uma doença muito grave. Prejudica a pessoa, elimina as forças e a vontade de conviver com os outros. Mas eu precisava ganhar dinheiro, então mesmo com depressão trabalhava. Isso me doía na alma, mas escrever o que eu sentia me deixava melhor. Hoje estou bem e levo a vida de forma mais agradável. O fato de eu ler muito espanta a depressão. O que está na minha alma e espírito, eu transporto para o papel. E faço como fazia Machado de Assis, com caneta e papel.
Atualmente, qual a importância de você se manter intelectualmente ativo?
A forma de me manter vivo: repartir a vida com quem gosta de mim. Estou com 81 anos, e preciso me manter ativo, porque o cérebro também envelhece. Me parece, tenho um cérebro de homem novo. Procuro mantê-lo assim através de meus estudos e minhas escritas, para ficar ativo fisicamente e espiritualmente.